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Vinício Carrilho

À Nita Freire - e ao professor das professoras e dos professores (1)


À Nita Freire - e ao professor das professoras e dos professores (1) - Gente de Opinião

Hoje temos um motivo para festejar, com a esperança de quem muito almeja esperançar, agir para transformar[1].

Hoje, homenageada, Ana Maria Araújo Freire (nossa Nita Freire), é pedagoga, Doutora em Educação (PUC/SP), educadora, escritora, foi esposa de Paulo Freire – Patrono da Educação brasileira, em um reconhecimento dado em 2012 pela então presidente Dilma Roussef. Recebeu cinco títulos Doutor Honoris Causa (doutora no caso) e escreveu dois livros em torno de Paulo Freire.

Nita Freire sempre disse que: "Homenagear Paulo é seguir com o ato de 'esperançar”[2]. Mas, não é a “a esperança da espera de quem sempre alcança”, é a espera que antecede a ação – e a ação mais profunda e reveladora é a de quem participa da Educação emancipatória. Como ensinou Paulo Freire:

1.     Ensinar exige alegria e esperança

2.     Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível

3.     Ensinar exige curiosidade

4.     Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade

5.     Ensinar exige comprometimento

6.     Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo

7.     Ensinar exige liberdade e autoridade[3]

 

Esperança é o tempo determinado entre a reflexão e a práxis:

·       Em primeiro lugar, para que possamos nutrir a esperança enquanto práxis, ação transformadora da realidade social.

·       Em segundo lugar, a fim de que a prescrição (alienação) não seja mais um verbo de ação a favor da proscrição (exclusão) da imensa maioria do povo brasileiro – especialmente o povo pobre, negro e oprimido.

·       Em terceiro lugar, pensando-se enquanto Nação, para que o “atraso social” não mais se faça presente no atraso educacional, econômico, tecnológico, científico, político, cultural.

·       Por fim, em quarto lugar, e a partir de uma Utopia possível (realizável), para que coletivamente tenhamos força e esperança destinadas à construção de uma Vontade de saber teleológica (libertária e emancipadora)[4]

 

Vale frisar que a Educação quando não é libertadora, emancipatória, inclusiva (também em termos de acessibilidade), não é Educação, é anti-pedagogia, é adestramento, castração[5].

Como sempre diz Nita Freire: “Homenagear Paulo é seguir com o ato de ‘esperançar’. Precisamos deixar que o verbo venha à frente do substantivo esperança; ele pregava ação, mobilidade. Não podemos nos acomodar com o que o Brasil se transformou”.

De 2018 a 2022, o país foi refém do fascio, e, ainda que hoje esteja sob ataque direto dessas forças reacionárias, regressivas e repressivas (especialmente contra o povo pobre, negro e oprimido), e mesmo depois do 8 de janeiro de 2023, o Brasil mudou um pouco – não que tenha havido uma revolução de qualquer natureza (hoje se trocou a reflexão pela educação financeira); porém, hoje podemos esperançar.

Afinal, Educação é transformação profunda, radical, das raízes dos males sociais e das indiferenças ou comodismo das pessoas.

Prezada professora Nita Freire, não fiz um memorial para esta presença que tanto nos honra, hoje; mas, sim, lhe enderecei uma carta também. E penso que falo em nome de todas e de todos que estão ou estarão conosco nos próximos dias. Seja muito bem-vinda professora!


[1] Por meio de trabalho coletivo entre o Núcleo de Formação de Professores (NFP/UFSCar) e o canal A Ciência da CF88 (https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88),

[3] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

[4] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025d. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[5] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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