Quinta-feira, 30 de julho de 2020 - 10h26

Foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (30/7), a Operação
Polígrafo. A ação decorre de trabalho investigativo realizado em parceria entre
a Polícia Federal (PF/RO), o Ministério Público (MP/RO) e a Controladoria-Geral
da União (CGU/RO). O objetivo é combater grupo econômico que atuou
fraudulentamente na aquisição emergencial de 100 mil testes rápidos de
Covid-19, pela Secretaria de Estado de Saúde de Rondônia.
O trabalho identificou a existência de irregularidades em dispensa
de licitação aberta pela SESAU para fornecer 100 mil testes rápidos de Covid-19,
com a contratação de empresa com manifesta incapacidade técnica para prestação
do contrato, nos termos definidos e necessários ao Estado de Rondônia.
Na ocasião da contratação, agentes públicos descartaram empresas
previamente selecionadas em chamamento público realizado pela SUPEL, para
adquirir os testes - com pagamento antecipado de 30% do valor do contrato, ou
seja, R$ 3.150.000,00 à empresa
investigada, a qual não tinha registro dos produtos na ANVISA à época do
certame (item exigido no termo de referência); não possuía autorização para
comercialização de produtos de saúde e laboratoriais; apresentava como objeto
social “serviços combinados de escritório e apoio administrativo”; não tem
funcionários registrados em 2020 e, a despeito do valor do contrato (R$
10.500.000,00), apresenta capital social de apenas R$ 174.000,00 (incompatível
com o valor do certame).
No rol de propostas descartadas, ainda constavam ofertas de kits
por valores menores ao adquirido. Embora fosse possível realizar pagamento
antecipado de despesas em período de calamidade pública, não houve cumprimento
das exigências legais para justificar esse procedimento.
Em ação por corrupção empresarial de natureza
cível impetrada pelos promotores de justiça Geraldo Henrique Ramos Guimarães e
Joice Gushy Mota Azevedo, por meio da Força-Tarefa COVID-19 do MP/RO, houve o
deferimento de indisponibilidade de valores em nome da empresa envolvida no
valor de R$ 3.150.000,00.
Nesta nova fase dos trabalhos, faz parte do
conjunto de providências determinado judicialmente, agora por força decisão
cautelar criminal, também, o bloqueio do pagamento do valor restante (7,35
milhões de reais), evitando-se enriquecimento ilícito e assegurando-se, via
trabalho conjunto e coordenado das instituições, prevenção total do dano.
A Operação Polígrafo inclui o cumprimento de 13 mandados de busca e
apreensão nos municípios de Porto Velho (RO), Rio de Janeiro (RJ) e em Itajaí
(SC) e é executada por 30 policiais federais, 5 servidores da CGU e equipe do
Grupo de Atuação Especial Criminal e de Defesa do Patrimônio Público -GAECRI.
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