Quinta-feira, 20 de novembro de 2025 - 11h40

Torturador,
estuprador e escravagista. É assim que muitos registros e análises críticas
descrevem Zumbi dos Palmares, apesar da tentativa insistente de setores
ideológicos transformarem esse personagem em um “santo laico” da
militância. O Brasil, atolado em dívidas, improdutividade e desigualdade,
continua parando no Dia da Consciência Negra para celebrar uma farsa
cuidadosamente construída. Um país que mal consegue se sustentar insiste em
homenagear uma narrativa que não resiste a um mínimo de honestidade histórica.
Essa é a
segunda vez que falo sobre isso. O Zumbi real, citado em documentos coloniais e
discutido por autores como Leandro Narloch do Guia Politicamente Correto, e
José de Souza Martins, da sociedade brasileira de sociologia, estava longe de
ser libertador. Palmares não era o paraíso igualitário da propaganda: havia
punições severas, hierarquia rígida e escravização interna. A história oficial
simplesmente passa por cima disso porque não combina com a imagem fantasiosa
vendida aos brasileiros. Preferiu-se criar um herói artificial a encarar a
complexidade da escravidão e da resistência negra sem maniqueísmo.
Não há
documentos sólidos que sustentem a versão açucarada divulgada hoje. O que
existe é um personagem remodelado ao gosto de projetos políticos surgidos nos
anos 1970 e 1980, quando a urgência ideológica falou mais alto que a pesquisa
séria. Em vez de questionar, repetiu-se. Em vez de investigar, romantizou-se. O
resultado foi a fabricação de um mito conveniente, que atende agendas
contemporâneas, mas trai a história em sua totalidade.
O pior é que essa farsa virou feriado. Um país que precisa desesperadamente produzir, fecha as portas para celebrar uma narrativa construída. Micro e pequenas empresas param. Comércio e indústria perdem um dia. O país, já sufocado por impostos, ineficiência e endividamento, perde mais algumas horas de trabalho — tudo em nome de uma figura que talvez não merecesse nem um parágrafo de exaltação, quanto mais uma data nacional. Criou-se um feriado para sustentar um mito, enquanto milhões de brasileiros, negros e brancos, seguem sem emprego, renda ou perspectiva porque o país insiste em jogar contra si mesmo.
Essa
celebração não fortalece a luta contra o racismo; fortalece apenas a cegueira
política. Não ajuda a memória histórica; distorce. Não promove igualdade;
reforça manipulação. Enquanto isso, a economia patina, o Estado gasta mais do
que arrecada, e a população paga a conta de um país que prefere se pendurar em
ficções em vez de encarar seus desafios reais.
A
escravidão foi brutal, e a resistência negra é um capítulo essencial da nossa
história. Mas isso não dá licença para mentir. Construir um ícone falso não
repara injustiça; apenas cria outra. O Brasil precisa parar de fabricar heróis
por conveniência e começar a lidar com a verdade, por mais desconfortável que
ela seja. A história não pode continuar sendo moldada para servir a discursos,
e o futuro não pode continuar sendo sacrificado para sustentar narrativas frágeis.
Zumbi não foi o herói que nos venderam. O feriado não faz
sentido. E o país não tem mais espaço para celebrar mitologias enquanto afunda.
Se queremos justiça, igualdade e progresso, precisamos de trabalho,
produtividade e seriedade — não de mitos reciclados, nem de feriados
construídos sobre areia. A história já foi manipulada demais. O Brasil não
suporta mais uma mentira.
Rubens Nascimento é Jornalista, formado em Direito, M.M Maçom e Ativista do Desenvolvimento.
* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.
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