Sábado, 7 de março de 2026 - 08h25

Estudo revela que filhos de pais separados têm menos filhos e relações mais instáveis na vida adulta
Um estudo recente da Universidade Bocconi, em Milão, publicado na conceituada revista "Demography", lança uma nova luz sobre as tendências demográficas e a dinâmica familiar. A investigação conclui que os filhos de pais divorciados têm, em média, menos filhos do que as pessoas que cresceram em famílias intactas.
Analisando dados de 1,75 milhões de pessoas, a equipa de investigação descobriu que o número de filhos é reduzido em cerca de 14% para os homens e aproximadamente 5% para as mulheres provenientes de laços rompidos. Em média, estas pessoas também permanecem sem filhos com uma frequência ligeiramente superior à dos outros, embora, quando se tornam pais, isso tenda a acontecer mais cedo.
O Papel da Estabilidade Relacional
De acordo com o estudo, o mecanismo central para este menor número de filhos reside na instabilidade relacional. Os filhos de pais divorciados tendem a separar-se com mais frequência do que outras pessoas, resultando em casamentos e relações mais curtos. Esta fragilidade nos vínculos afetivos, naturalmente, reduz a janela de oportunidade e a estabilidade necessárias para projetar e constituir uma família numerosa.
Esta propensão para separações mais frequentes pode estar também enraizada nos valores e atitudes transmitidos pela família de origem. Sociólogos sublinham que, mais do que o divórcio em si, o tipo de comunicação familiar após a separação e a manutenção do contacto com ambos os pais são factores decisivos para moldar o desejo e a confiança do indivíduo em ter os seus próprios filhos.
Um Contexto Demográfico Preocupante
Estas conclusões surgem num momento em que o número de nascimentos em quase todos os países europeus e norte-americanos se encontra abaixo do nível de reposição populacional, contribuindo para um drástico envelhecimento da sociedade. Naturalmente, para este cenário geral contribuem também outros factores, como o ar atmosférico social (o Zeitgeist), o modelo económico vigente, ideologias do momento e a falta de espaço habitacional favorável a crianças.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10822
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