Sexta-feira, 28 de abril de 2017 - 07h18

247 – O povo brasileiro decidiu mostrar que existe, aponta o filósofo Vladimir Safatle, na coluna Quando é hora de parar. "Segundo pesquisa recente feita pela consultoria Ipsos, 92% das brasileiras e brasileiros acreditam que o país está no rumo errado. No entanto, para quem ocupa atualmente o poder, estas pessoas não contam, a opinião delas é irrelevante. Para eles, a maioria absoluta da população brasileira deve ser tratada como crianças que se recusam a tomar 'um remédio amargo' que, no entanto, seria necessário", diz ele, que defende a greve geral desta sexta-feira.
"Quando os que ocupam o poder tentam calar a população e seu descontentamento explícito, ela deve então mostrar sua força de destituição. A paralisação da produção e do movimento, os aviões que ficam no solo, os ônibus que não circulam mais, as escolas fechadas, os bancos lacrados são a forma suprema de um poder de dizer 'não', o mesmo poder que Maquiavel compreendia como definidor do povo, já que o povo sempre emerge ao dizer que não quer ser oprimido pelos grandes", lembra Safatle.
"A greve geral que ocorre nesta sexta (28) não é a manifestação de força de um partido ou grupo político. Ela faz pouco caso dos embates eleitorais que parecem ser o único interesse real da casta política. Ela é fruto da revolta contra a invisibilidade, contra a inexistência. Há um poder que quer nos jogar à inexistência para impor melhor um programa que, até agora, foi capaz de mandar de volta, somente nesse ano, 3,6 milhões de pessoas à pobreza, enquanto conseguia conservar intacto os rendimentos e benefícios da elite rentista. Esse poder quer nos fazer acreditar que é melhor para nós que, no interior de relações trabalhistas, o negociado prevaleça sobre o legislado, mesmo quando o negociado implique perda de direitos garantidos pela CLT."
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