Quinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

OPINIÃO: Os dependentes químicos


 
Eles chamam a si mesmos de “malucos”, mas talvez mais maluca seja a sociedade que os fabrica. Seja como for, eles se multiplicam, na paisagem urbana, e vão aumentando as estatísticas das internações hospitalares por conta de acidentes de trânsito e atos violentos. Ao mesmo tempo, vão ocupando no sistema prisional vagas que deveriam ser destinadas a prisioneiros cujos crimes não derivaram da dependência química. Aos dependentes químicos (DQs) deveria caber um tipo especial de detenção, com acompanhamento psiquiátrico. 

Cadeia alguma vai recuperar um dependente químico apenas com a reclusão, mesmo porque as cadeias são antros enfumaçados, onde o cigarro comum – “careta”, como dizem – é considerado válido para “relaxar” o detento. Entretanto, o cigarro é apenas um mantenedor da dependência. Ao cabo de anos a fio de reclusão, logo nas primeiras horas o dependente vai novamente atrás do alívio ilusório que a droga traz aos DQs. 

Não é por acaso que a droga introduziu uma das questões centrais do debate sobre a segurança pública no País: cabe às famílias cuidarem de seus dependentes químicos ou eles devem ser internados à força, antes que cometam crimes? 

No Rio de Janeiro, um jovem viciado em crack matou uma amiga sob o efeito da droga. O pai do dependente declarou ser impossível tratar o filho, pois ele recusa ser internado. Nesse caso, não parece restar outra opção a não ser a chamada “internação involuntária”. 

Polêmica, a proposta vai, no entanto, ganhando força, na medida em que o doente perde completamente o discernimento e não tem condições de saber o que é melhor para si, tornando-se perigoso tanto sob o efeito da droga quanto sem ela. “Bola” os mais diversos meios, legais ou ilegais, para conseguir dinheiro e se drogar, desde simular o próprio sequestro até extorquir dinheiro dos pais e amigos sob ameaças. 

A internação involuntária se destina aos que não aceitam se afastar do vício. O tratamento é uma iniciativa tomada por membros da família do dependente químico ou de álcool com a intenção de conscientizá-lo sobre a desintoxicação. Muitos são contra, porque a decisão de internar um familiar à força pode ter motivações menores que ajudar o doente, envolvendo a apropriação de seus bens. 

Porém, quando o dependente já não tem discernimento do que é melhor para ele nesse momento e perde o controle de sua própria vida, ou seja, não responde mais de forma responsável pela sua vida familiar, profissional e social, é necessário intervir, garantem os psicólogos. 

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Onde há fumaça, há fogo

Onde há fumaça, há fogo

Circulou em um grupo de WhatsApp de aposentados da Câmara Municipal de Porto Velho que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (G

Autismo e educação: escola regular ou especial?

Autismo e educação: escola regular ou especial?

O dia 2 de abril é celebrado mundialmente como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mai

A violência começa antes do crime — e a lei chega tarde

A violência começa antes do crime — e a lei chega tarde

Punir não basta: o Brasil endurece as leis, mas o problema é mais profundo.Novas medidas contra a violência e humilhação de mulheres são necessárias

É preocupante o nível de desconfiança da população nas principais instituições brasileiras

É preocupante o nível de desconfiança da população nas principais instituições brasileiras

Apesar de a democracia está plenamente consolidada no Brasil, parcela significativa da população não confia nas nossas principais instituições. O Co

Gente de Opinião Quinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)