Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Opinião: Caricatura do Islã


 
João Baptista Herkenhoff


Um debate ocorrido em aula que dei, no Mestrado da Universidade Federal do Espírito Santo, inspirou a primeira versão deste texto. Discutíamos a questão dos Direitos Humanos no mundo muçulmano.

O ponto central da reflexão foi este: o Islamismo é incompatível com os Direitos Humanos?

Publicada como artigo, a matéria original suscitou alguns pronunciamentos favoráveis e um só pronunciamento contrário.

Dentre os aplausos destaco o que veio assinado por Saad Mahmmoud Al Bakr, nestes termos:

“Li seu brilhante texto. Somente uma pessoa com sua formação e sensibilidade poderia tê-lo escrito da maneira correta como o fez, sem a visão deturpada de pessoas preconceituosas e desconhecedoras dos princípios que regem o Islã. Apenas, com sua licença, gostaria de fazer um reparo. Nós, muçulmanos, orientamos que as pessoas não-muçulmanas denominem o honrado Profeta Mohammad – Sallah Allahu Alleihi Wa Salaam – pelo seu verdadeiro nome que é Mohammad Bin Abdallah Bin Abdel Al Muttailib e não pela corruptela Maomé, que não nos agrada e é profundamente desrespeitosa. Atenciosamente, Salaam, Saad Mahmmoud Al Bakr”.

Para início da reflexão na UFES, propus que pousássemos nossos olhos sobre a seguinte passagem do Profeta:

“Eu não sou senão um homem. Se eu vos ordeno qualquer coisa de vossa Religião, segui-me. Se eu vos ordeno qualquer coisa que revela minha opinião, eu sou apenas um homem. O que diz respeito à Religião cabe a mim. No que diz respeito aos negócios do mundo, nisto vós sabeis mais do que eu”.

Com frequência, nas mais diversas religiões e filosofias, os respectivos seguidores, no decurso do tempo, distanciam-se da pregação original.

O Fundamentalismo, ou seja, a pretensão de deter toda a verdade, a intolerância para com o divergente, o carimbo de herege aposto aos que discordam não é monopólio do Islã. Também entre os cristãos existem fundamentalistas.

Mais do que o que li em livros, tenho sobre esta matéria um depoimento pessoal. Tive a oportunidade de participar, na França, de um Congresso Internacional Islâmico-Cristão. Foi uma das mais belas e importantes experiências que esta vida, já alongada, me proporcionou. Naquele encontro fraterno, marcado pela tolerância e pelo despojamento, homens e mulheres portadores de crenças diferentes procuramos descobrir nossas identidades, em vez de realçar nossas divergências.

Que doçura para a alma de um cristão ouvir, face a face de um muçulmano, que o Islamismo prescreve a fraternidade; adota a idéia da universalidade do gênero humano e de sua origem comum; ensina a solidariedade para com os órfãos, os pobres, os viajantes, os mendigos, os homens fracos, as mulheres e as crianças; estabelece a supremacia da Justiça acima de quaisquer considerações; proclama a liberdade religiosa e o direito à educação; condena a opressão e estatui o direito de rebelar-se contra ela; estabelece a inviolabilidade da casa.

Há uma forte incidência da herança judaico-cristã no arcabouço do Islamismo.

Este abismo, que tantas vezes se fomenta, entre o Ocidente e o mundo islâmico tem muito mais razões políticas e econômicas do que base na verdade. Atrás de tudo está o petróleo.

Hoje Satã é o Islã, como no passado historicamente recente, Satã era a Alemanha e a Itália. A propósito de alemães e italianos, a propaganda era feita com tal malícia e capacidade técnica que brasileiros supunham ser um dever patriótico perseguir imigrantes que descendiam desses povos europeus. Meus ancestrais, de origem germânica, experimentaram esse sinete.

É preciso estar atento a rótulos e a lavagem cerebral. A tolerância é condição de sobrevivência da Humanidade. Não apenas em plano internacional, mas também no Brasil, buscar o aperto de mãos, construir pontes, celebrar o diálogo – é o caminho da Paz.

 

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 15 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Rocha desiste do senado e joga a culpa no vice

Rocha desiste do senado e joga a culpa no vice

Acabou o mistério! O governador de Rondônia. Cel. Marcos Rocha, disse, durante entrevista ao jornalista Everton Leoni, que vai ficar no cargo até o

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Foi preciso que um juiz americano, motivado por um acionista do Banco Master, reconhecesse a legalidade do processo de liquidação da instituição par

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

O Brasil — e toda a humanidade — avança graças a homens pensantes, cujas ideias visionárias combatem epidemias sociais como a violência no trâns

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

Do “Portugal ingrato” ao debate sobre quem merece representaçãoO debate sobre o direito de voto dos emigrantes portugueses regressa ciclicamente a

Gente de Opinião Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)