Segunda-feira, 20 de julho de 2015 - 10h11

*Por Bandeira Filho
A republica agoniza, sangra. Os delatores trazem à tona a realidade da política brasileira. Os representantes dos poderes, mortalmente feridos, buscam lançar o pais no caos, para livrarem suas “idoneidades”. Os cargos, as indicações políticas, o clientelismo do bolsa família usados como moeda de troca é o que mantém a república de pé.
O nacionalismo, o ufanismo de Policarpo Quaresma, obra de Lima Barreto, que já foi tão criticado e despertava o sentimento de amor, ódio, melancolia, talvez seja melhor do que o sentimento que vivemos hoje de desesperança, de medo, de insegurança. De outro lado, como herança cultural, temos a rapsódia Macunaíma o Herói sem Nenhum Caráter, escrita em 1926, pelo modernista Mário de Andrade, que interfere na definição do povo representado pelo herói sem nenhum caráter.
A nossa existência como nação, apesar de tantas lutas, tantas ilusões, tanto sofrimento, tanto heroísmo, ainda não encontrou um sentido. A história nos tem dado mostra disso. Nascemos colônia, passamos a império para atender interesses da Coroa, nos tornamos República para nos livrarmos da escravidão. Em 1930 a República velha, caiu. Em 1946, a ditadura de Vargas foi derrubada, em 1964 vieram os militares. Em 1984 a redemocratização, novas esperanças, novos sonhos que ainda não se realizaram.
As nossas instituições de vanguarda, como a OAB, que outrora defendia a sociedade brasileira, hoje vive seu momento fisiológico.
O psicólogo humanista americano, Abraham Maslow, conhecido pela proposta hierarquia de necessidades de Maslow- que são cincos, parece que nos dá o perfil do brasileiro, com sua teoria que tem na sua base as necessidades fisiológica: a alimentação, o sexo, a sobrevivência, que precisam ser saciadas para abrir campo para as necessidades sociais, que são as necessidades de segurança, emprego, família, garantia de integridade física, patrimonial.
Na sequência, tem necessidade de autoestima, que é um padrão de vida condigno, o direito à cidadania. Por fim, a auto-realização que leva a completa felicidade do homem. Em qual estágio vive a sociedade brasileira? Temos vários brasis em um só Brasil: o Macunaíma, os ufanistas, os fisiologistas, os que vivem somente pelas necessidades fisiológicas e os que buscam a felicidades.
Quem somos nós?
*É advogado militante
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