Porto Velho (RO) sábado, 5 de dezembro de 2020
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Mensagem do novo Arcebispo de Porto Velho


Mensagem do novo Arcebispo de Porto Velho - Gente de OpiniãoAo Povo de Deus em Porto Velho (RO)
 

Queridos Irmãos e Irmãs da Arquidiocese Sagrado Coração de Jesus em Porto Velho,

Irmãos Religiosos e Religiosas,

Irmãos Seminaristas,

Irmãos Presbíteros.

B I O G R A F I A
Seu lema: “LEVANTA-TE E ANDA” (At 3,6)

 
• Dom Esmeraldo Barreto de Farias nasceu no dia 04 de julho de 1949, na comunidade do Bonfim, município de Santo Antônio de Jesus, diocese de Amargosa na Bahia. Ele tem 62 anos;

• Filho de José Izidorio de Farias e Maria Georgina de Souza Barreto;

• Entrou no Seminário Menor Nossa Senhora do Bom Conselho em Amargosa em 1962 e concluiu o ensino médio em 1968);

• Cursou História na Universidade Federal de Minas Gerais (1970-1973);

• Fez os Estudos de Teologia no Instituto de Teologia da Univ. Católica de Salvador (1974-1776);

• Foi ordenado presbítero aos 09 de janeiro de 1977 na comunidade do Bonfim – S. Antonio de Jesus – Ba;

• Nomeado Pároco da Paróquia do Senhor do Bonfim em Jiquiriça-BA (1977-1992);

• Nesse período assumiu também as Paróquias S. Inês e Brejões (1977);

• Mutuípe (1979-1986);

• Ubaíra (1983-1987);

• Parelhas-RN (1982);

• Foi Coordenador da Pastoral Rural da Diocese de Amargosa (1983-1990);
• Diretor Espiritual no Seminário Maior da Diocese de Amargosa em Ilhéus-BA (1991-1995);

• Coordenador Nacional da Associação dos Padres do Prado (1991-2000);

• De 1992 a 2000, assumiu a Paróquia de S. Bendito em Santo Antonio de Jesus e D. Macêdo Costa;

• Foi nomeado bispo em 22 de março de 2000;

• A ordenação episcopal aconteceu nesse mesmo ano, no dia 11 de junho, em S. Antônio de Jesus – Ba;

• De 02 de julho de 2000 a abril de 2007, exerceu o ministério episcopal em Paulo Afonso, sertão da Bahia;

• No dia 22 de abril de 2007, assumiu a diocese de Santarém no Pará;

• De maio de 2007 a maio de 2011 foi Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, da qual continua membro.

 

Preparando-nos para celebrar o Natal de Jesus Cristo, recebo o chamado de Deus para me dirigir a Porto Velho. Pouco conheço da história e da vida dessa Igreja Particular, mas sei que aí também há um povo numeroso que pertence a Deus (cf. At 18,10), que tem acolhido a sua santa Palavra e assumido o caminho do seguimento a Jesus Cristo, como caminho para a edificação do Reino de Deus. Em meio a esse povo, Deus colocou o seu servo pastor missionário D. Moacyr Grechi.

A celebração do Natal que se aproxima  me faz mergulhar com maior intensidade no Mistério da Encarnação do Filho de Deus, para que, animado com as várias testemunhas da fé dessa Igreja de Porto Velho, possa estar com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição (cf. Hb 12,1-2).

O Mistério da Encarnação nos convida a contemplar na realidade de hoje, realidades urbana e rural, a ação do Espírito de Deus. Por isso, em meio às dificuldades, sofrimentos, alegrias e desafios, o olhar que nos envolve é o olhar da esperança que não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5). Essa contemplação precisa marcar de modo muito claro a nossa espiritualidade a fim de que, superada toda dicotomia, o processo de evangelização possa continuar avançando com  atenção à pessoa, oferecendo sempre mais oportunidades para o encontro com Jesus e a vivência em comunidade.

Jesus, ao assumir as realidades da vida, nos aponta para o projeto do Pai, a fim de contribuirmos para a edificação do seu Reino, Reino de justiça, de solidariedade, de partilha, de paz que marque concretamente a vida de nossa sociedade.

Em 1972, reunidos em Santarém (Pa), os bispos da Amazônia deixaram um belo testemunho escrito que continua sendo muito atual, porque fundado na vida de Jesus Cristo, seu mistério da Encarnação e da Páscoa,  inspirado no Vaticano II, na encíclica Populorum Progressio e em Medellín e também porque os bispos traziam no coração a realidade do povo da Amazônia e, diante dos desafios, pediam luzes ao Espírito Santo. Esse documento revela o sentido profundo da comunhão que os bispos da Amazônia sempre buscaram, desde aquele primeiro encontro em 1952, por ocasião do Congresso Eucarístico em Manaus.

Na Encarnação e na Páscoa, estão motivos profundos que nos fazem estar convencidos da missão para a qual somos chamados e consagrados pela Trindade Santa. Isto está muito claro no documento de Aparecida quando aponta para a importância e a necessidade de uma conversão pessoal e pastoral em vista de uma pastoral decididamente missionária (DAp 366.370). 

As Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, com muita razão e em boa hora, convidam o Brasil inteiro a viver o Estado Permanente de Missão. A partir do encontro com Jesus Cristo, ir ao encontro das pessoas e aí contemplar a ação de Deus. Logo se vê que o protagonismo não é nosso. A Obra é de Deus! Somos chamados a ser servos, pois do ser configurado com Cristo decorre um agir conforme ao de Cristo, Cristo servo missionário (cf. DFPIB 50).

Nesse estado permanente de missão, a Palavra de Deus ocupa um lugar especial em nossa vida e na missão. Precisamos acolher essa palavra, meditá-la pô-la em prática, porque nessa palavra, que é Jesus Cristo, está a vida, a alegria, a paz e a felicidade!

Sei que vocês já têm contribuído muito para que essa palavra santa seja escutada como voz da Amazônia, sempre vista com o rosto da Amazônia,  tendo como casa a comunidade que se fortalece em cada lugar dessa Igreja particular e como caminho aquele que se fez palavra, o verbo que se fez carne.

O estado permanente de missão nos convida e fortalecer as comunidades. Para mim foi uma bênção de Deus haver participado do Inter-eclesial das CEBs, celebrado em Porto Velho. Pude escutar a partilha e ver experiências de Comunidades enraizadas no Evangelho, celebrantes do mistério pascal, solidárias, missionárias, trabalhando o processo de iniciação à vida cristã e vivendo o dinamismo da comunhão para a missão e da missão que conduz à comunhão.

Viver a missão é estar aberto ao serviço da vida plena para todos, pois Jesus Cristo veio “para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Irmãos e Irmãs na Igreja Particular de Porto Velho, Deus os tem confirmado na missão. Rezem também por mim para que, em comunhão, possa viver o discipulado missionário tão necessário em nossa realidade da Amazônia.

A exemplo de Maria, como discípulo missionário, possa eu ter ouvidos para escutar e para aprender; olhos e coração para ver e discernir os sinais da ação de Deus e disponibilidade para que possa colaborar na evangelização a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, evangelizando à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres para que todos tenham vida ,rumo ao Reino definitivo.

Se Deus quiser, estarei com vocês no início de março de 2012 para viver o caminho da Páscoa. Rezem por mim junto ao presépio; nas celebrações eucarísticas; nas celebrações da Palavra; nos encontros das comunidades, das pastorais, movimentos e dos vários grupos; nas famílias; nas escolas. Afinal de contas, nossa força vem de Deus e precisamos alimentá-la. Tenham a certeza de que já trago cada pessoa presente em meu coração.

Desejando a cada pessoa, a cada família, a todas as comunidades e Paróquias, aos religiosos e religiosas, aos seminaristas e, de modo muito especial, aos irmãos presbíteros, aos irmãos bispos D. Moacyr Grechi e D. José Martins da Silva dessa Igreja dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, e de todo o Estado de Rondônia,um abençoado Natal, peço que o Deus da vida, da misericórdia e da paz os abençoe.

Em Jesus Cristo missionário,

D. Esmeraldo Barreto de Farias

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