Sexta-feira, 15 de dezembro de 2023 - 12h56

É impressionante a capacidade do presidente para falar bobagens. Quando
alguém pensa ter-se esgotado o seu manancial de asneiras ele consegue, como que
num passe de mágica, tirar da cartola mais uma abobrinha, para deleite dos
áulicos palacianos, muitos dos quais, nos bastidores e longe dos holofotes e
das câmaras de TV, condenam a conduta do chefe, mas, publicamente, o aplaudem,
evidenciando o mais descarado servilismo.
Depois de se meter na guerra entre Israel e o Hamas, obrigando a
diplomacia brasileira a entrar em cena para apagar o incêndio, antes que as
labaredas do vexame invadissem todos do cômodos da casa, o presidente resolveu dar
palpite na escolha profissional das pessoas, durante cerimônia de
credenciamento do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), ao criticar o alto número de advogados formados
no Brasil, dizendo que os brasileiros deveriam buscar outras áreas do
conhecimento, como matemática, engenharia e física.
O Brasil está imerso num charco de problemas, com a violência, em todas
as suas modalidades mais cruéis e repugnantes, ditando as regras do jogo. Mesmo
assim, o presidente ainda encontra tempo para se meter em assuntos que não lhe
dizem respeito. O presidente não faz ideia de o quanto é difícil concluir uma
faculdade de direito, no Brasil, começando pelo preço das mensalidades,
considerada uma das mais caras, só perdendo para o curso de medicina. Lula se
esquece de que foi graças à atuação brilhante e à persistência exemplar de um
advogado que ele deixou a carceragem da Policia Federal, em Curitiba, para
candidatar-se à presidência da República. Que diabos o presidente tem que ver
se alguém quer ser advogado, médico, dentista, oftalmologista, psicólogo!
Afinal, o que é melhor para o país, ter mais advogados ou mais políticos
corruptos? De tão óbvio, a resposta me
parece supérflua.
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