Sábado, 17 de janeiro de 2026 - 14h01

O Instituto de Previdência e
Assistência dos Servidores Públicos do Município de Porto Velho (Ipam) voltou
ao noticiário. Não, evidentemente, pela qualidade dos serviços médicos
hospitalares que deveria prestar aos filiados e seus dependentes. Nada disso. O
Ipam foi alvo de operação policial por suspeita de superfaturamento praticado
por agentes públicos. Essa não seria a primeira vez que o dinheiro do Instituto
teria sido usado para atender interesses completamente divorciados da
finalidade para a qual o órgão foi criado pelo então prefeito Chiquilito Erse
(já falecido).
Tempos atrás, estourou o caso do
Banco Santos. Recursos da previdência teriam sido usados indevidamente na
compra de títulos fajutos. O Banco Santos sofreu intervenção e, posteriormente,
faliu, causando enorme prejuízo para diversos investidores. Foi preciso o Ipam
entrar na Justiça para recuperar o dinheiro, salvo engano, 1 milhão de reais.
Agora, mais um escândalo envolvendo recursos
da Assistência Médica. Isso é revoltante, se se considerar que a cada dia prestadores de serviços vêm pedindo
descredenciamento do Instituto alegando falta de pagamento, resultando em
graves consequências para os beneficiários, com a perda de acesso a hospitais,
clinicas e profissionais de saúde. É preciso investir na melhoria dos sérviços assistenciais,
alvo de reclamações e protestos veementes por parte de filiados. Paralelo a
isso, há, também, o problema dos cargos comissionados, cujo número é exagerado,
considerando, sobretudo, a minúscula estrutura da instituição.
Além da sangria que esses cargos vêm
causando aos cofres do Instituto, não raro ocupados por parentes de políticos,
em sua maioria, neófitos no campo da administração pública, segundo informações
de servidores do Ipam, há certa concordância quanto ao descompasso entre a
arrecadação e a despesa. Há um clima administrativo, porém, que recomenda o
sacrifício de algumas diretorias. É estupidez imaginar que o Ipam pode
permanecer como está, praticamente acéfalo no setor assistencial, a menos que
se queira transformá-lo em objeto de museu, à semelhança do esquálido Iperon,
contudo, não acredito que seja essa a intenção do prefeito Léo Moraes. Ele tem
potencial e condições para mudar a face deformada do Ipam, principalmente, no
campo da assistência médica. Vamos esperar para ver.
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