Porto Velho (RO) segunda-feira, 23 de novembro de 2020
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Fora, servidores públicos! - Por Professor Nazareno


 

Professor Nazareno*

O PSDB nunca gostou de funcionários públicos, eis a verdade. Quando o ex-presidente FHC governou o país entre os anos de 1995 e 2002, as demissões no serviço público bateram recordes. Era PDV (Plano de Demissão Voluntária), era servidor colocado em disponibilidade, era perseguição, era assédio moral no trabalho, era falta de reajuste salarial. Foi nesta época Fora, servidores públicos! - Por Professor Nazareno - Gente de Opiniãoque em Rondônia o ex-governador José Bianco mandou dez mil pais de família para o olho da rua. Muitos sem direito a nada. Tudo em nome do Neoliberalismo e do Estado mínimo. Agora o prefeito eleito de Porto Velho Hildon Chaves, também do PSDB, tenta reeditar aqueles tempos macabros para os barnabés municipais. Conseguiu aprovar na Câmara de Vereadores, na calada da noite, a extinção de benefícios sob a alegação de que vai economizar 100 milhões de reais.

A mídia noticia que todos os mais de 13 mil servidores do município de Porto Velho foram prejudicados com medidas draconianas. A extinção do quinquênio foi aprovada por 17 votos a favor do prefeito. Alguns vereadores inclusive dizem que não leram a “papelada em forma de lei” e por isso votaram “sim”. Foi o caso de Júnior Cavalcante e de Cristiane Lopes. A vereadora Ellis Regina do Sindeprof, o sindicato que reúne os servidores municipais e que forma a base eleitoral da parlamentar, estaria viajando. Somente o vereador Aleks Palitot votou “não” para impedir prejuízos aos servidores. Administrar a coisa pública perseguindo humildes trabalhadores é muito fácil além de ser uma covardia. O estranho de tudo isso é que na mesma lei, pede-se para aumentar o valor dos CDS e criam-se vários outros cargos na esfera municipal.

Segundo se comenta, o prefeito Hildon Chaves já teria nomeado neste curto período de tempo, um mês apenas, pelo menos 1772 comissionados com gordos CDS e claro, todos sem concurso público. Isso é mais do que o dobro dos nomeados em quatro anos pelo ex-prefeito Mauro “Lento” Nazif. Retirar o quinquênio ou qualquer outro benefício de servidores legalmente concursados é uma incoerência inexplicável para quem bradava aos quatro ventos durante a campanha eleitoral que iria moralizar a administração municipal. Economizar esse dinheiro para quê? Vai investir na cidade? O pior de tudo isso é que muitos servidores votaram e fizeram campanha para o tucano na esperança de dias melhores. Coitados! Não se lembraram de Fernando Henrique Cardoso nem de José Bianco. Pior foram os 17 vereadores que traíram os injustiçados.

E a prefeitura precisa, e muito, deles. Como prestar atendimento na saúde, educação, limpeza dentre outros setores sem a sua imprescindível colaboração? Mas o PSDB parece não gostar destes trabalhadores. Defende a privatização de tudo. O sonho do Estado mínimo pretende entregar o patrimônio público a setores particulares. Leia-se: a setores de amigos e correligionários já previamente escolhidos numa relação de compadrio, de toma lá, dá cá. Infelizmente a administração de Hildon Chaves até agora tem-se mostrado um embuste, uma farsa. Procura medir forças com quem não as tem. O problema de Porto Velho, de Rondônia e do Brasil não é nem nunca foram os servidores públicos. Claro que há muitas falhas que precisam ser consertadas. O nosso problema é a roubalheira, a corrupção e a incompetência dos administradores públicos. Perseguir ou demitir servidores para colocar apadrinhados no seu lugar é trocar seis por meia dúzia.

*É Professor em Porto Velho.

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