Quarta-feira, 4 de outubro de 2023 - 10h19

Conhecendo os porões da política nacional, não é preciso muita
engenhosidade para saber o que vai sair no relatório da CPMI dos atos de 8 de
janeiro. Na ânsia de aparecer na mídia, tem gente falando demais. E, o que é
pior, falando bobagens. Seria bom que alguns integrantes da Comissão falassem
menos. Não fossem boquirrotos, como se revelam muitos deles. Aliás, sobre
qualquer depoimento, a maioria deita falação, exibe autoridade e competência,
porém, quando se examine o que disseram, não se aproveita nada.
O troféu de a mais faladora deveria ser dado à relatora da CPMI,
senadora Eliziane Gama. Pense numa mulher que fala pelos cotovelos. O problema
é que, de cada dez palavras pronunciadas pela representante do Maranhão,
aproveita-se uma e, as outras nove, vão direto para a lata do lixo.
Correligionária do ministro da Justiça, Flávio Dino, dona Eliziane não esconde
de ninguém seu desejo de colocar o ex-presidente Jair Bolsonaro no paredão. E
não apenas Bolsonaro, mas também seus auxiliares mais diretos.
No fundo, existe um jogo político brutal por trás dessa CPMI.
Quase todo mundo quer ferrar Bolsonaro. O pessoal do PT tentou de todas as
maneiras fazer o relatório, mas o tiro saiu pela culatra. Imagine o que não
teria saído desse documento. No máximo, um texto sem pé nem cabeça, cheio de
invencionices, uma tremenda barafunda. Mas, por outro lado, não devemos esperar
grandes coisas dessa Comissão, que, a meu ver, anda mais perdida que cego em
tiroteio. Por isso, não se espante se a CPMI dos atos de 8 de janeiro acabar em
mais uma tremenda pizza gigante.
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