Porto Velho (RO) domingo, 25 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Copa do mundo, elo de paz



João Baptista Herkenhoff

Em artigo publicado há alguns dias refletimos que a Copa do Mundo contribui para a integração do povo brasileiro. O futebol elimina preconceitos e estabelece uma forma especial de fraternidade. Durante os jogos nós nos sentimos brasileiros, filhos de uma Pátria comum, nós nos reconhecemos como irmãos.

No livro “Dos Pés à Cabeça”, Maurício Murad estudou o futebol, sob a lente da Sociologia, e concluiu que a bola traduz uma ética da igualdade de oportunidades.

José Teixeira Júnior, a partir da colocação de Maurício Murad, acresceu que Carnaval e Futebol são as mais expressivas manifestações da cultura popular no Brasil.

No artigo de hoje desejo falar sobre o papel desempenhado pelo futebol num outro prisma. Não sobre o futebol como senha de integração nacional, mas sim o futebol como um liame entre povos. Ou seja, o futebol une e integra povos.

Aparentemente há uma contradição neste pretendido papel. O futebol não é uma disputa? Os dois times em campo não perseguem a bola? O drible não é licito? O atacante da seleção A não procura arremessar a bola no fundo da rede da seleção B? Quando o técnico avalia que a retranca é melhor que o ataque e decide por uma reviravolta repentina na estratégia do jogo, tem ele a gentileza de previamente comunicar a mudança ao técnico adversário, ou prefere pegar de surpresa a equipe contrária?

Se a seleção brasileira faz um gol nós pulamos de alegria. Se o atacante da seleção adversa ingressa na pequena área e, de frente, para o goleiro chuta forte mas a bola bate na trave, nós vibramos de contentamento com o infortúnio alheio. Cada um torce pelas cores do seu país.

Nada disso invalida a tese do futebol fraterno.

Debaixo desse aparente clima de luta, o futebol traduz uma mensagem de paz.

Faça amor, não faça a guerra, decretaram os hippies. Podemos repetir o refrão: dispute a hegemonia no futebol, risque do mapa a guerra.

O futebol tem tanta poesia que até palavras ofensivas ganham outra conotação quando se referem ao esporte das multidões. Uma coisa é dizer de um magistrado: juiz ladrão. Outra coisa é atribuir parcialidade a um juiz de futebol: árbitro ladrão.

O Brasil está de parabéns pelo sucesso desta Copa. Não conquistamos a taça mas conquistamos a simpatia do mundo. Fomos arquitetos de um grande abraço de continentes. Fomos maestros de um coro universal de vozes pedindo a Paz, nos mais diversos idiomas falados mundo afora: peace (inglês), paix (francês), pace (italiano), frieden (alemão), vrede (holandês), bans (turco), pokój (polonês).

João Baptista Herkenhoff é juiz de Direito aposentado (ES), professor e escritor.
E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br
CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520

Mais Sobre Opinião

A fogueira das vaidades

A fogueira das vaidades

O que até agora era bravata, “não é insulto, é o jeito dele”

O bom do silêncio

O bom do silêncio

Bolsonaro disse que não adianta exigir dele a postura de estadista, por que não é estadista.

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.