Porto Velho (RO) sábado, 15 de agosto de 2020
×
Gente de Opinião

Opinião

Bordejo de Carnaval – III


A praça, o Bola Sete, o show das escolas, a doce lembrança.

 

Por: Altair Santos (Tatá)*

 

É como se fosse um filme, cuja trilha, ritmada pelo rufar do surdo de marcação fez fundir o ontem com o hoje. Batida compassada, ziriguidum macio, requebro cadenciado e faceiro da mulata, o passista imaginário (ele, o Bola) riscando o chão, deslizando macio, evoluindo brilhante, feliz, fagueiro, folgazão, nota dez, e pronto!...

Lá estávamos nós, no ato inaugural da Prefeitura de Porto Velho ao entregar à comunidade do Bairro 4 de Janeiro e cercanias, a recém-reformada Praça Bola Sete. Em que pese o sábado (26/jan) chuvoso e o anoitecer nublado, a lua, por detrás das nuvens, houve de iluminar e inspirar os seguidores do saudoso Eliezer Santos, (nome do sambista homenageado), na animada programação que tinha o carnaval como evidência e o samba como excelência. Carnaval e samba, aliás, duas entidades interligadas, marcantes e fortemente presentes no contexto de vida do Bola Sete, basta lembrar o seu gingado no andar, o seu jeito de falar e as tiradas, expressas em seu discurso. Além de personalidades do samba atual, alguns antigos bambas ainda em evidência e que privaram da amizade do ágil e serelepe passista, se fizeram presentes no aconchegante espaço, atrás do Chopp do 4.

Após a cerimônia oficial, o Projeto Inclusão do Samba (da Fesec), colocou no palco a nova safra do carnaval local. A escola Asfaltão, que volta à passarela do samba em 2007, deu o ar da graça com seus intérpretes e é claro, com as suas beldades (as tigresas), para deleite, preocupação e desequilíbrio clínico da galera hipertensa. Mais adiante, pra provocar de vez um forte abalo sísmico, no peito da turma receita azul, foram apresentadas as candidatas à rainha do carnaval, um verdadeiro colírio travestido de samba e em forma de mulher. Em seguida, a escola vermelho e branco, a Diplomatas, reeditou uma pequena parte da história, com a emocionante apresentação do sambista e compositor Ernesto Melo - o poeta da cidade - que interpretou (de sua autoria) a música Marcha Para o Bola Sete. No bar, uma improvisada barraca no canto da praça, gerenciada pelo simpático casal Dagmar/Francy, o movimento agrupava alguns animados e repentinos comentaristas que, revezando goles e empilhando latinhas, ao redor de seus pés, discorriam sobre o motivo da noite, o Bola Sete.

Entre intervalos, calorosas e vaporizadas apresentações, de bem nutridas mulatas, o jovem Bruno Fontoura de 150 kg (representante do Bloco Saio do 4 - Volto de 4) foi aclamado o Rei Momo/2007. Segundo se sabe, horas mais tarde, o rapaz já incorporando a autoridade momesca, resolveu bebericar, todo o seu prêmio, na doce companhia de algumas pretendentes a cortesãs, na pérgula de uma certa piscina lá pras bandas do 4 de janeiro.

Quando o relógio pontuou em 3 da manhã de sábado, o êxodo dos sambistas se deu em todas as direções, preferencialmente para as casas especializadas em revigorantes caldos, afinal, mais tarde, os blocos Coruja, Alho e Galo da Meia-Noite, chamariam a cidade pra folia.

 

(*) O autor é músico e vice-presidente da Fundação Iaripuna.

 

Mais Sobre Opinião

Covid-19: menos culpa, mais união

Covid-19: menos culpa, mais união

A constatação de mais de 100 mil mortes no Brasil em decorrência da Covid-19 se tornou um marco simbólico para uma tragédia nacional sem precedentes.

Hesitação que compromete

Hesitação que compromete

As frequentes vacilações patrocinadas por membros da equipe do governador Marcos Rocha não servem apenas para marcar na opinião pública uma imagem d

Os 193 anos dos Cursos Jurídicos X 26 anos de exploração dos cativos dos OAB

Os 193 anos dos Cursos Jurídicos X 26 anos de exploração dos cativos dos OAB

Salve o dia 11 de agosto dia dos advogadosAlô Senhores membros da Organização Internacional do Trabalho – OIT, Organização dos Estados Americanos – OE

Por que alguns dirigentes têm ojeriza a servidor público?

Por que alguns dirigentes têm ojeriza a servidor público?

Todas as vezes que o caixa da União sofre a ameaça de esgotar-se, a corda sempre arrebenta no bolso do servidor público. Essa prática tem sido comum