Porto Velho (RO) segunda-feira, 14 de outubro de 2019
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Bordejo de Carnaval – III


A praça, o Bola Sete, o show das escolas, a doce lembrança.

 

Por: Altair Santos (Tatá)*

 

É como se fosse um filme, cuja trilha, ritmada pelo rufar do surdo de marcação fez fundir o ontem com o hoje. Batida compassada, ziriguidum macio, requebro cadenciado e faceiro da mulata, o passista imaginário (ele, o Bola) riscando o chão, deslizando macio, evoluindo brilhante, feliz, fagueiro, folgazão, nota dez, e pronto!...

Lá estávamos nós, no ato inaugural da Prefeitura de Porto Velho ao entregar à comunidade do Bairro 4 de Janeiro e cercanias, a recém-reformada Praça Bola Sete. Em que pese o sábado (26/jan) chuvoso e o anoitecer nublado, a lua, por detrás das nuvens, houve de iluminar e inspirar os seguidores do saudoso Eliezer Santos, (nome do sambista homenageado), na animada programação que tinha o carnaval como evidência e o samba como excelência. Carnaval e samba, aliás, duas entidades interligadas, marcantes e fortemente presentes no contexto de vida do Bola Sete, basta lembrar o seu gingado no andar, o seu jeito de falar e as tiradas, expressas em seu discurso. Além de personalidades do samba atual, alguns antigos bambas ainda em evidência e que privaram da amizade do ágil e serelepe passista, se fizeram presentes no aconchegante espaço, atrás do Chopp do 4.

Após a cerimônia oficial, o Projeto Inclusão do Samba (da Fesec), colocou no palco a nova safra do carnaval local. A escola Asfaltão, que volta à passarela do samba em 2007, deu o ar da graça com seus intérpretes e é claro, com as suas beldades (as tigresas), para deleite, preocupação e desequilíbrio clínico da galera hipertensa. Mais adiante, pra provocar de vez um forte abalo sísmico, no peito da turma receita azul, foram apresentadas as candidatas à rainha do carnaval, um verdadeiro colírio travestido de samba e em forma de mulher. Em seguida, a escola vermelho e branco, a Diplomatas, reeditou uma pequena parte da história, com a emocionante apresentação do sambista e compositor Ernesto Melo - o poeta da cidade - que interpretou (de sua autoria) a música Marcha Para o Bola Sete. No bar, uma improvisada barraca no canto da praça, gerenciada pelo simpático casal Dagmar/Francy, o movimento agrupava alguns animados e repentinos comentaristas que, revezando goles e empilhando latinhas, ao redor de seus pés, discorriam sobre o motivo da noite, o Bola Sete.

Entre intervalos, calorosas e vaporizadas apresentações, de bem nutridas mulatas, o jovem Bruno Fontoura de 150 kg (representante do Bloco Saio do 4 - Volto de 4) foi aclamado o Rei Momo/2007. Segundo se sabe, horas mais tarde, o rapaz já incorporando a autoridade momesca, resolveu bebericar, todo o seu prêmio, na doce companhia de algumas pretendentes a cortesãs, na pérgula de uma certa piscina lá pras bandas do 4 de janeiro.

Quando o relógio pontuou em 3 da manhã de sábado, o êxodo dos sambistas se deu em todas as direções, preferencialmente para as casas especializadas em revigorantes caldos, afinal, mais tarde, os blocos Coruja, Alho e Galo da Meia-Noite, chamariam a cidade pra folia.

 

(*) O autor é músico e vice-presidente da Fundação Iaripuna.

 

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