Segunda-feira, 1 de maio de 2017 - 09h47
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RETICÊNCIAS POLÍTICAS
Por Itamar Ferreira *
... o assédio moral é tão antigo quanto a civilização, provavelmente já existia antes dela. Qualquer relação hierárquica está sujeita à ocorrência do assédio moral, e também em agrupamentos de pessoas, o qual é bem distinto de ofensas ou outras atitudes eventuais ou isoladas. O assédio moral pressupõe uma abrangência maior, normalmente envolvendo a criação de um ambiente hostil à vítima.
Por mais desarrazoado que seja, o meio acadêmico também é propício a esse tipo de comportamento deletério e extremamente prejudicial à saúde física e emocional de quem tem a infelicidade de sofrer esse tipo de constrangimento moral.
Relato dois episódios recentes ocorridos este ano dentro do Instituto João Neórico, mais conhecido como FARO. No primeiro uma acadêmica foi assediada ferozmente por alguns colegas, a partir de um mal-entendido criado por um docente, ao relatar que teria recebido e-mail reclamando da postura do mesmo em sala de aula.
A partir desse ponto, a acadêmica foi ferozmente hostilizada, nos costumeiros grupos de WhatsApp de turma, sofrendo agressões verbais, questionamentos e constrangimentos diversos, que inviabilizaram sua permanência na mesma turma, obrigando-a a pedir transferência. O caso teve que sofrer a intervenção do Núcleo de Apoio Psicológico (NAPI) da FARO.
Outro motivo que pode criar situações análogas ao assédio moral é posicionamentos políticos. Nesses grupos uma maioria pode postar críticas, piadas e tudo o mais de um viés político, mas se alguém cair na besteira de postar um pensamento contrário imediatamente ocorrerá uma reação coordenada contra o “divergente”, que passa a ser questionado e, algumas vezes, abertamente hostilizado.
Esta última situação aconteceu comigo, que estou pagando uma disciplina na turma de direito DIR02NA da FARO. Como muitos se achavam no direito de postar coisas de conteúdo político, cai na besteira de fazer o mesmo, logicamente sobre um viés político contrário. Como se costuma dizer, alguns da turma ‘caíram de pau’ e um dos administradores sumariamente me excluiu do grupo.
Ao ligar ao administrador do grupo para saber o motivo, o mesmo foi enfático em dizer que não haviam gostado dos meus comentários e que eu teria sido avisado. Ainda argumentei que não teria sido alertado ou advertido para não fazer determinado tipo de postagem, mas ele se manifestou do tipo, ‘foi excluído e está excluído’.
Não conformado com a postura do administrador do grupo, tirei um print (foto da tela do celular) do diálogo com este e enviei para alguns colegas, recebi algumas manifestações de esclarecimentos e até de apoio. Entretanto, uma “tropa de choque” partiu para o ataque.
Uma colega foi logo desancando comentários desairosos, que eu teria sido avisado e que a turma não gostava daquilo; além disso, ela entendia que eu não teria condição de questionar nada, porque a minha “cara” teria sido “estampada em vários jornais com denúncia de suposta agressão”. Um outro me ameaçou pelo Whatsapp e por ligação no telefone, fazendo várias ofensas e dizendo que estaria me esperando na faculdade (pelo visto ele era dado a brigas no ‘portão da escola’).
Já imagino que outros acadêmicos estarão sujeitos a assédio moral nessa turma, basta discordar de alguma coisa que eles fazem uma ação coordenada de hostilização e constrangimentos. Sugiro ao NAPI e à direção da Faculdade que acompanhem com atenção essa turma e faça alguma campanha de conscientização para coibir essa deletéria e perniciosa prática.
* Itamar Ferreira é bancário, sindicalista, presidente da CUT, formado em administração de Empresas e pós-graduado em metodologia do ensino pela UNIR e acadêmico da FARO.
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