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Turismo em Minas Gerais: regiões e cidades que não podem faltar no seu itinerário


Turismo em Minas Gerais: regiões e cidades que não podem faltar no seu itinerário - Gente de Opinião

Minas Gerais reúne um dos roteiros mais completos do país porque combina patrimônio histórico, gastronomia reconhecida, paisagens montanhosas, turismo religioso, experiências rurais e cidades de ritmo urbano mais intenso.

Em 2026, esse protagonismo ganhou novo fôlego: o governo estadual informou a estruturação de 16 novas rotas turísticas para ampliar a distribuição de visitantes por diferentes regiões, movimento que ajuda a redesenhar o mapa das viagens internas no estado. Ao mesmo tempo, dados da PNAD Contínua Turismo, do IBGE, mostram que Minas se consolidou entre os principais destinos de viagens nacionais com pernoite.

Esse cenário ajuda a explicar por que montar um itinerário em Minas exige mais do que escolher uma cidade famosa. O estado é extenso, diverso e formado por regiões com identidades muito próprias. Um roteiro eficiente depende de afinidade com o tipo de experiência procurada, do tempo disponível e da logística entre os destinos.

Minas Gerais amplia o leque de experiências turísticas

A imagem tradicional de Minas associada apenas às cidades históricas já não dá conta da variedade de experiências disponíveis. A estratégia estadual de interiorização do turismo, reforçada em 2026, mostra que o visitante encontra circuitos culturais, gastronômicos, ecológicos e religiosos em praticamente todas as macrorregiões.

Os números ajudam a entender a força desse movimento. Segundo o IBGE, os gastos totais com viagens nacionais com pernoite chegaram a R$ 22,8 bilhões em 2024, alta de 11,7% em relação a 2023. Na mesma divulgação, Minas Gerais apareceu entre os principais destinos do país para viagens pessoais com pernoite, com 10,2% de participação.

Já no recorte municipal, Ouro Preto tinha 74.821 habitantes no Censo 2022, dado que ajuda a dimensionar como uma cidade de porte médio sustenta relevância turística nacional por meio do patrimônio e da oferta cultural.

Na prática, isso significa que o itinerário mineiro pode ser desenhado por interesse predominante: história, natureza, descanso, peregrinação, gastronomia ou viagens de curta duração saindo de capitais e centros regionais.

As cidades históricas seguem como eixo central do roteiro

Para quem procura a face mais emblemática de Minas, o conjunto das cidades históricas continua indispensável. Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João del-Rei, Congonhas e Diamantina concentram parte expressiva da memória colonial brasileira e oferecem experiências complementares, não repetidas.

Ouro Preto costuma ocupar posição central nesse circuito por reunir arquitetura preservada, igrejas barrocas, museus, ladeiras marcantes e agenda cultural constante. O destino também funciona como base para deslocamentos articulados pela região.

Em roteiros que exigem planejamento prévio de transporte, a consulta de opções de ônibus para Ouro Preto pode ser uma etapa prática para organizar chegada, conexões e tempo de permanência sem concentrar toda a viagem no transporte individual. Essa solução faz sentido sobretudo em percursos que combinam cidade histórica e capital, ou que exigem integração com outros municípios mineiros.

Mariana, por sua vez, complementa a visita com atmosfera histórica mais compacta e tranquila. Tiradentes se destaca pela combinação entre patrimônio, gastronomia e forte vocação para feriados e festivais.

São João del-Rei amplia o repertório com igrejas, casario e tradição musical, enquanto Congonhas oferece um dos conjuntos artísticos mais simbólicos do país, com os profetas de Aleijadinho. Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, acrescenta ao circuito uma leitura própria da formação urbana e cultural mineira.

A Serra da Mantiqueira aproxima natureza e gastronomia

No Sul de Minas, a Serra da Mantiqueira entrega um tipo de viagem diferente daquele encontrado nas cidades históricas. O foco recai sobre clima ameno, hospedagens de serra, gastronomia regional, produção artesanal e turismo de contemplação.

Monte Verde é um dos destinos mais lembrados, especialmente em viagens de casal e em períodos de temperaturas mais baixas. São Lourenço e Caxambu mantêm tradição ligada às águas minerais e ao turismo de bem-estar. Gonçalves e Aiuruoca atraem quem procura cachoeiras, trilhas e hospedagens mais reservadas.

Essa região costuma funcionar bem para itinerários mais curtos ou combinados com experiências gastronômicas. O diferencial está menos em grandes atrações monumentais e mais no ritmo da permanência: comida local, paisagem, descanso e deslocamentos curtos entre vilas e áreas naturais.

A Serra do Cipó e o Espinhaço valorizam o turismo de natureza

Quem prioriza cachoeiras, trilhas, mirantes e turismo ao ar livre encontra na Serra do Cipó e na cadeia do Espinhaço um dos melhores recortes de Minas. A região mistura biodiversidade, relevo marcante e acesso relativamente viável a partir de Belo Horizonte.

A Serra do Cipó é adequada para roteiros de fim de semana, ecoturismo e viagens com foco em banho de cachoeira e caminhadas. Já a ampliação do olhar para o Espinhaço permite incluir destinos como Conceição do Mato Dentro, Lapinha da Serra, Serro e Diamantina, formando percursos mais longos e variados.

Estudos acadêmicos dedicados à Serra do Espinhaço destacam justamente a articulação entre patrimônio natural e cultural como base da atratividade regional. Isso importa para o planejamento do visitante porque a viagem tende a ser melhor aproveitada quando não se reduz a um deslocamento pontual até uma cachoeira famosa, mas se organiza como experiência territorial integrada.

Belo Horizonte e Inhotim enriquecem itinerários culturais

Minas também oferece uma dimensão urbana forte para quem deseja conciliar história, arte, gastronomia e facilidade logística. Belo Horizonte funciona como porta de entrada importante, com boa rede de serviços, agenda cultural estável e conexão com destinos próximos.

O Circuito Liberdade, o Mercado Central, a cena de bares e restaurantes e os museus ajudam a construir um primeiro contato consistente com a cultura mineira contemporânea. A partir da capital, bate-voltas ou pernoites adicionais podem incluir Sabará, Caeté e Brumadinho.

Inhotim, em Brumadinho, merece atenção própria no itinerário, considerando que o instituto reúne arte contemporânea e jardim botânico em escala rara no Brasil, exigindo planejamento de tempo e deslocamento. Não se trata de atração acessória, mas de destino capaz de justificar um dia inteiro ou mais.

O turismo religioso e de interior amplia o mapa mineiro

Outra força de Minas está na diversidade de roteiros religiosos e de interior, frequentemente menos explorados em planejamentos apressados. Aparecida do Norte pertence a São Paulo, mas em Minas há circuitos muito relevantes para quem busca festas tradicionais, igrejas, peregrinações e calendário devocional.

Congonhas é a referência mais evidente, mas cidades como Caeté, Santa Luzia, São João del-Rei e a própria Ouro Preto ganham nova leitura em períodos litúrgicos, especialmente na Semana Santa. Estudos sobre patrimônio em Ouro Preto e Mariana reforçam que a força turística local não se explica apenas pela arquitetura, mas pela permanência de práticas culturais, rituais e usos sociais dos espaços históricos.

Esse aspecto é decisivo: em Minas, muitas cidades são melhor compreendidas quando visitadas em seu tempo cultural, e não apenas como cenário fotográfico.

O melhor itinerário depende da lógica regional

Um erro comum é tentar atravessar o estado inteiro em poucos dias. Minas recompensa mais quando o roteiro respeita proximidade geográfica e afinidade temática. Em vez de reunir destinos distantes de modo aleatório, costuma ser mais eficiente estruturar a viagem em blocos regionais.

Alguns arranjos funcionam especialmente bem:

  • Belo Horizonte, Inhotim e Serra do Cipó;
  • Ouro Preto, Mariana e Congonhas;
  • Tiradentes, São João del-Rei e região da Mantiqueira;
  • Diamantina e trechos do Espinhaço.

Essa organização reduz tempo em deslocamento, melhora o aproveitamento das atrações e permite leitura mais consistente de cada território. Também favorece escolhas de hospedagem, transporte e duração da viagem com mais racionalidade.

Minas Gerais oferece viagens densas, não apenas passagens rápidas

O diferencial mineiro está na densidade da experiência. Poucos estados conseguem reunir, em um mesmo itinerário ampliado, centros urbanos estruturados, arte contemporânea, patrimônio mundial, culinária regional forte, serras, cachoeiras e religiosidade viva.

Em 2026, com a expansão de rotas turísticas e o reforço institucional da interiorização do setor, Minas se apresenta menos como um destino isolado e mais como um mosaico de percursos possíveis. Para o visitante, isso significa liberdade para montar roteiros com perfis muito diferentes, desde escapadas de fim de semana até viagens longas e multifocais.

Em qualquer recorte, algumas escolhas dificilmente decepcionam: cidades históricas para mergulho cultural, Mantiqueira para descanso e gastronomia, Espinhaço para natureza e Belo Horizonte como base estratégica. Mais do que tentar ver tudo, a melhor decisão costuma ser escolher uma lógica regional e permitir que Minas revele suas camadas com tempo suficiente.

Referências:

AGÊNCIA MINAS. Minas Gerais diversifica oferta turística e redesenha mapa das experiências no estado. 2026. Disponível em: https://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/minas-gerais-diversifica-oferta-turistica-e-redesenha-mapa-das-experiencias-no-estado.

IBGE. Gastos com turismo nacional aumentam 11,7% em 2024. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/44624-gastos-com-turismo-nacional-aumentam-11-7-em-2024.

IBGE. Ouro Preto. 2026. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/ouro-preto/.

IPHAN. Patrimônios, tempos e “tradições” de Ouro Preto. 2017. Disponível em: https://www.gov.br/iphan/pt-br/unidades-especiais/centro-lucio-costa/clc-cc2/produto-3-aprovado_br15.pdf.

GONTIJO, B. M. et al. Áreas protegidas e turismo na Serra do Espinhaço: dez anos de atuação do Grupo Integrado de Pesquisas do Espinhaço-UFMG/UFVJM. 2021. Disponível em: https://revistas.ufvjm.edu.br/revista-espinhaco/article/view/171.

LEÃO, H. S. et al. Valoração geocultural de um sítio do patrimônio cultural minerário do ciclo do ouro-século XVIII na região de Ouro Preto e Mariana, Minas Gerais. 2026. Disponível em: http://periodicos.ufsj.edu.br/territorium_terram/article/view/5828.

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