Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 - 13h06

O
Brasil assiste, entre a perplexidade e a exaustão, a um fenômeno que desafia a
lógica do desenvolvimento: a transformação do Estado em um buraco negro de
recursos privados. Recentemente, fomos confrontados com dados que confirmam o
que o bolso do cidadão já sentia no cotidiano: a carga tributária brasileira
atingiu um recorde histórico. Sob a atual gestão, não estamos apenas pagando
caro pelos serviços que mal recebemos; estamos financiando uma máquina pública
que parece ter perdido o freio de arrumação.
O
dado é acachapante: desde o início deste mandato, o governo promoveu, em média,
um aumento de impostos ou a criação de novas barreiras arrecadatórias a cada 37
dias. Vivemos sob o regime de um "calendário fiscal" implacável.
Enquanto o setor produtivo tenta planejar o próximo semestre, o Diário Oficial
da União entrega uma nova surpresa tributária que altera as regras do jogo e
drena a liquidez das empresas.
Vivemos
um Estado como Fim em Si Mesmo, uma vez que a filosofia econômica que
impera hoje em Brasília ignora uma premissa básica da economia moderna: o
equilíbrio fiscal não se faz apenas aumentando a receita, mas, primordialmente,
gerindo a despesa. É como nas nossas casas, não podemos gastar mais do que
ganhamos. Parafraseando uma frase histórica de D.Pedro II – “Enquanto se puder
reduzir despesas, não há direito de criar novos impostos. Despesa inútil é
furto à Nação”. No entanto, o que vemos é uma sanha arrecadatória que busca fechar
as contas de um governo que se recusa a cortar na própria carne.
Ao
brasileiro, resta o papel inglório de "pagador de boletos" de um
Estado inchado. Quando a carga tributária bate recordes, o efeito cascata é
inevitável, como por exemplo a Inibição do Investimento: O capital é covarde;
ele foge da incerteza e da tributação punitiva. Outro efeito devastador é a
perda de competitividade: Nossos produtos chegam ao mercado externo
sobrecarregados pelo "Custo Brasil". Sem contar com a Inflação
Disfarçada, onde o imposto que a empresa paga na ponta da produção é o preço
que o cidadão paga na prateleira do supermercado.
Devemos
ainda citar a Ilusão da Arrecadação Infinita. Existe um limite perigoso
para o aumento de impostos, frequentemente ilustrado pela Curva de Laffer.
Quando o Estado tributa além da capacidade de suporte da sociedade, ele acaba
por desestimular a atividade econômica, o que, ironicamente, pode levar à queda
da arrecadação a longo prazo e ao aumento da informalidade.
O
atual governo, ao optar pelo caminho mais fácil de tributar a cada 37 dias,
escolhe o paliativo em vez da cura. É mais fácil criar um novo tributo ou
revogar uma desoneração do que realizar uma reforma administrativa séria ou
auditar a eficiência dos gastos públicos.
Conclusão:
Não podemos aceitar o recorde da carga tributária como uma fatalidade do
destino. É uma escolha política. O Brasil não precisa de mais impostos; precisa
de mais gestão, mais transparência e de um ambiente que permita ao empreendedor
respirar sem o torniquete fiscal apertando seu pescoço a cada mês.
Pagar a conta de um governo que não sabe economizar é um fardo que o brasileiro já carrega há décadas, mas agora chegamos ao limite do suportável. Ou o Estado entende que ele existe para servir à sociedade — e não o contrário —, ou continuaremos sendo o país do futuro que nunca chega, retido na alfândega de uma burocracia voraz.
*Samuel
Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração
de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas
(1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um
país sem rumo”. Site: https://samuelhanan.com.br
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