Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

Onde se fala de pasteleiros em apuros e dança das placas


Humberto Pinho da Silva - Gente de Opinião
Humberto Pinho da Silva

Machado de Assis, num dos seus encantadores romances, narra a curiosa história do Sr. Custódio, deveras preocupado com a mudança do regime, no Brasil – Monarquia para República

O Sr. Custódio mandou pintar no estabelecimento o nome da pastelaria:

 

CONFEITARIA IMPÉRIO

 

Com a mudança do regime político, em 1889, ficou preocupadíssimo. Seria afronta à República?!

Para solucionar o intricado problema, pediu parecer a amigo, que lhe sugeriu:

 

CONFEITARIA DA REPÚBLICA

 

Mas, o Sr. Custódio não ficou sossegado. Se a monarquia voltasse?

O Imperador era figura grata do povo; Deodato, respeitava Dom Pedro II; o General Hermes da Fonseca, irmão de Deodato, era leal ao Imperador; melhor era repintar o letreiro assim:

 

CONFEITARIA DO CUSTÓDIO

 

Nessa época começou no Brasil o "baile das casacas": escritores, militares, jornalistas e artistas, não perderam tempo: louvando "convictos", a República, na ânsia de benesses.

As placas das ruas andaram em roda-viva: a Praça Dom Pedro II, passou a Marechal Deodato; o Largo da Imperatriz, a Quintino Bocaiúva; a Rua da Princesa, Rui Barbosa.

O que aconteceu no Brasil, acontece em quase todo o mundo, em nome da liberdade e da democracia...

Também em Portugal houve caso semelhante ao do Sr. Custódio, só que foi verídico, e não fictício, como o de Machado de Assis.

O proprietário da Confeitaria Nacional, no final do século XIX, foi a França e conheceu o bolo confecionado na "Festa dos Reis"

Trouxe-o para o seu País e deu-lhe o nome de:" Bolo-Rei". Logo os lisboetas o adotaram nas festas natalícias.

Entretanto mudou o regime e os republicanos não gostaram do nome:  “Rei".

Mudou-se para: " Bolo de Natal" ou " Bolo de Ano Novo".

No correr do tempo, acalmados os ânimos, voltou a ser: "Bolo-Rei".

Como no Brasil, igualmente, as placas das praças e ruas foram substituídas, na 1ª,2ª e 3ª República.

A Ponte Salazar passou a ser: " 25 de Abril". Hoje, o povo, batizou-a: " Ponte Sobre o Tejo".

O estadista já o previa, quando disse que o nome devia ser aparafusado para não terem trabalho de o arrancarem (Pedro Mexia- Revista Expresso, 10/09/2016.

No Porto, a Rua 31 de Janeiro (coitadinha!) desde que me conheço, uma vez é de Santo António, outra vez de 31, consoante o regime que se instala em Lisboa.

Tudo se fez e se faz em nome da liberdade...e da democracia.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Nova corte na aldeia

Nova corte na aldeia

Quando era rapazote ia com meus pais, veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.Depois da janta, familiares e amigos, abancavam-se na escaleir

A morte começa, quando nascemos

A morte começa, quando nascemos

        Tudo passa açodado: passam as horas, passam os dias, passam os anos, e sem percebemos, chega a caduquice, a decadência, a velhice…; e tudo p

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

No mês de dezembro, mês húmido e sombrio, aproveitei os raros dias de céu lavado e, de amena temperatura, para almoçar num centro comercial.Após suc

Se ainda não tem, compre um

Se ainda não tem, compre um

Acabo de sair de capela onde repousa senhora, que o povo canonizou. Venho entristecido e meditabundo: lá encontrei: muita cera; pagelas; terços; med

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)