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Crônica

O Devir da Reputação Social


O Devir da Reputação Social - Gente de Opinião

As reputações são construídas a partir da opinião alheia, por isso não devíamos nos preocupar com o que os outros pensam da gente, para não nos estressarmos psicologicamente. Um pensamento budista pede pra gente deixar ir a nossa reputação. Segundo Buda, a nossa reputação não nos pertence, ela reside na mente dos outros.

          Entrementes, é extremamente difícil a gente se livrar da opinião dos outros sobre nós mesmos, uma vez que vivemos num mundo sob o império de um contrato social, onde o que os outros pensam da gente acaba sendo mais importante do que o juízo que fazemos de nós mesmos. Vale lembrar que quanto mais tempo você passa na sombra de alguém, mais tempo você demora para ter a sua própria.

Enquanto humanos, somos partícipes de um pacto que nos obriga a uma postura de agrado ao próximo, ainda que hipocritamente e, neste mundo tecnológico, com tantas ferramentas disponíveis, isso virou uma obsessão. Nas mídias sociais a busca por seguidores é doentia. 

           Não se trata de uma opinião, mas de várias (opinião relativamente pública), direcionadas a nossa vida pessoal, como se estivessem fazendo uma releitura das nossas ações. As vistas que retornam da nossa janela poderão incomodar, ou não, o nosso devir, mas nem tudo depende da janela/vitrine.

          Às vezes, a vista de uma janela, ao chegar à janela espelhada do outro, passa por um processo interior primitivo de deformação, provocado pela inveja, ou pelo preconceito, a raiva, a comparação, e retorna ruidosa, destemperada, comprometendo a nossa reputação social.  

Se fecharmos as janelas e não participarmos do Facebook, Instagram, Twitter (hoje X), Whatsapp etc. dirão que somos antissociais, esquisitos, complexados. No futuro, a IA nos acusará de sermos humanos, mas aí já não estaremos.

Nesse sentido, os budistas tem razão, melhor ignorarmos os pensamentos intrusos, passarmos a tramela nas vistas originadas pelas janelas alheias e redirecionarmos os sentidos, convictos de que reputação é aquilo que os outros pensam da gente e caráter, dignidade são virtudes que amparam a nossa identidade.

Podemos conviver, sabendo que não somos uma ilha, nos esforçando para ignorar opiniões alheias, ainda que venham das mídias, por mais invasivas que sejam, a fim de que que não interfiram no nosso devir: “Em vez de uma noção estática do "ser", o devir enfatiza a dinâmica e o fluxo, onde as coisas estão em constante movimento e se transformam”. 

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