Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

Janela fechada


Janela fechada - Gente de Opinião

Nem todos, ao abrirem uma janela, conseguem divisar a vista, é como se a janela estivesse fechada, estão cegos, cegos que pensam que veem, ou, como dizia Saramago, cegos que vendo não veem.

A ignorância cega, o medo cega, a paixão cega, e há os que de tão toscos sequer enxergam à frente, mal veem um palmo além do nariz. Um velho irmão marista, professor de literatura, nos anos da minha adolescência, costumava dizer em sala de aula que “horizonte não é pra qualquer um, só se vê a vista com preparo”.

O horizonte é uma conquista, depende de leitura, é um estado de espírito, muitos o olham, mas poucos o enxergam. A sala de aula bem aproveitada, regurgitada em anotações, é o início da educação do olhar, amacia a caminhada e firma os passos ao futuro, abrindo janelas, ainda que algumas insistam em permanecerem fechadas. Machado de Assis dizia que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra.

Os onívoros culturais, ao lerem de tudo, adquirem uma capacidade especial de compreensão, fazem parte de uma seleta minoria, a dos que apuram a vista com um sorriso compenetrado. Cada texto vencido vai fornecendo apetrechos à memória, acumulando capital na conquista dos horizontes visuais e intelectuais.

Com estudo e leitura, as paredes da ignorância vão paulatinamente recebendo janelas, sensibilizando os cenários, como a vista de uma borboletinha multicor, que, fugindo do vento frio, bate na sua vidraça, querendo abrigo, com um sorriso enigmático. Abra a janela, acompanhe com o olhar o ziguezague do voo mágico do pequeno ser, feito o desenho da estrada da vida, deixe que a singeleza do belo mergulhe em seu interior, permita que a arte do simples também faça parte das suas vistas.

Não existe janela que não se possa abrir, cada uma delas possui uma relação de dependência com a vista almejada. O efeito simbólico de abrir janelas é produto do esforço de cada um, gratificado com vistas significativas.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Onde moram as borboletas brancas?

Onde moram as borboletas brancas?

Há casas que nos esperam em silêncio. Não como construções de tijolo, mas como espaços de reencontro. Mudei-me para uma residência que já era minha

Nova corte na aldeia

Nova corte na aldeia

Quando era rapazote ia com meus pais, veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.Depois da janta, familiares e amigos, abancavam-se na escaleir

A morte começa, quando nascemos

A morte começa, quando nascemos

        Tudo passa açodado: passam as horas, passam os dias, passam os anos, e sem percebemos, chega a caduquice, a decadência, a velhice…; e tudo p

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

No mês de dezembro, mês húmido e sombrio, aproveitei os raros dias de céu lavado e, de amena temperatura, para almoçar num centro comercial.Após suc

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)