Domingo, 8 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

A tortura na escola no fim do século XIX ou a triste infância de um grande escritor - (1ª Parte)


A tortura na escola no fim do século XIX  ou  a triste infância de um grande escritor - (1ª Parte) - Gente de Opinião

Era uma terça-feira do mês de Junho (18,) do ano de 1861, quando o Sr. João recebeu, no estabelecimento, a irmã Jacinta.

Em alvoroço, exclamou eufórica:

- " Parabéns, João, tens mais um filho!..."

- " Olha, que grande coisa!..." – contrapôs, este, serenamente.

Casara na cidade do Porto. Tinha duas meninas e um rapaz. Trindade Coelho, era o quarto.

O Sr. João fazia-se insensível, mas no íntimo, era homem bom: Gostava de auxiliar, mas receando que viessem a saber, dissimulava, para não o julgarem: "mole".

A esposa, perfeita dona de casa, cuidava com esmero, do maneio da casa, e aplicava, muitas horas na costura e a passajar.

Fazia o conserto da roupa, numa salinha, com janela para o Convento de S. Francisco, onde se prendia a corda, que accionava o sino, da torre.

Trindade Coelho, muitas vezes, tocava as "Avé-Marias", da janela. Ajudava à missa, com perfeição. Gostava de "celebrar" e"pregar". Por brincadeira, chamavam-no: " O Sr. Padre José".

Certa ocasião, bebeu trago de vinho, das galhetas. Descoberto, foi severamente repreendido e castigado: tinha que pedir perdão, ao Sr. Abade.

Lá foi o rapazinho, de cabeça baixa, a tremer, muito enfiado, a casa do Prior. Este, sorrindo, desculpou-o, e em "recompensa" deu-lhe punhado de cerejas.

Em dia frio de rigoroso Inverno, chegou a casa sem camisa. A mãe interrogou-o asperamente. Em prantos, contou, que a dera a menino pobre, que tinha muito frio.

Foi castigado; mas a mãe, enquanto lhe batia, ria-se de alegria, por dentro.

Aos domingos, ia à casa do oleiro, vê-lo a fazer louça. Levantava-se muito cedo, quase de madrugada, para observar o Sr. Domingos, girar a roda, e o barro ganhar a forma de utensílios.

Frequentava, com algum gosto, a escola, mas tinha também, professor particular.

Em suma: era feliz, até ao momento, que o pai resolveu levá-lo, com o irmão, à aldeia de Travanca, no intento dos filhos prosseguirem os estudos.

Ficaram hospedados na casa do professor, que ficou na incumbência de os educar.

 

(Continua)

Gente de OpiniãoDomingo, 8 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

No mês de dezembro, mês húmido e sombrio, aproveitei os raros dias de céu lavado e, de amena temperatura, para almoçar num centro comercial.Após suc

Se ainda não tem, compre um

Se ainda não tem, compre um

Acabo de sair de capela onde repousa senhora, que o povo canonizou. Venho entristecido e meditabundo: lá encontrei: muita cera; pagelas; terços; med

Os velhos serão trapos?

Os velhos serão trapos?

É de todos conhecido o envelhecimento da população. As razões são várias: mas, a principal – a meu ver, – é a emigração constante de jovens, em idad

Onde foi que erramos?

Onde foi que erramos?

Fazendo um mea culpa, ao abraçarmos nos anos 70 o "modernismo" ianque do " o importante é faturar" e ao legamos a educação aos meros interesses come

Gente de Opinião Domingo, 8 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)