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Artigo: O legado petro-educacional de Cristovam



HELDER CALDEIRA
 
Há algumas semanas venho me sentindo provocado a realizar uma intercessão sobre um assunto que está sendo ostentado por Luiz Inácio Lula da Silva em seus discursos de campanha por todo Brasil: a destinação dos royalties do petróleo das camadas de pré-sal para a Educação. O Presidente da República faz esse anúncio como um pai alardeando a garbosa aparência do filho que ainda não nasceu. Se filho feio não tem pai, o belo refastela-se nos regaços de seus diversos pretensos. O que o Presidente Lula esquece de relatar é exatamente a paternidade dessa criança. O legado dessa iniciativa petro-educacional é do senador Cristovam Buarque, um dos maiores defensores das políticas de Educação no Brasil.

Não é recente minha admiração pelo trabalho de Cristovam. Em outubro de 1996, eu era aluno secundarista do Centro de Ensino de 1º e 2º Graus do PAD/DF, uma excelente escola pública rural que nasceu no coração do bem-sucedido Programa de Assentamento Direcionado. Sempre apaixonado pelo verbo, fui chamado pela então diretora Sandra Terezinha Borges Cenci e convocado a escrever e realizar um discurso, em nome dos alunos, para o então governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, que nos visitaria por ocasião da inauguração do novo pavilhão da escola e da moderna tele-classe que estava sendo instalada.

Como aluno e, portanto, principal interessado nas melhorias de minha escola, aceitei a missão. Por mais que houvessem críticas, era unissonante a aprovação da gestão de Cristovam para a Educação e tive a oportunidade de vivenciar e me beneficiar da excelência prescrita pelo governador às unidades educacionais de seu Estado. E isso não é uma balela partidária (não somos e nunca fomos correligionários) ou um puxa-saquismo barato. Trata-se do testemunho vívido de alguém em pleno domínio de seus meios e que não gosta de passar ao largo da História.

Ao fim da cerimônia, nos dirigimos ao Centro de Tradições Gaúchas Sinuelo da Saudade, ao lado da escola, onde toda comitiva foi recepcionada com o saboroso churrasco gaúcho e jovens em seus coloridos vestidos prendados dançando ao som de “O Caranguejo”. O então governador Cristovam Buarque me abraçou e disse: “Foi você mesmo quem escreveu o discurso? Fiquei emocionado. Você tem uma oratória de político!” Assim como guardei com carinho e respeito as palavras de Cristovam, conservei a foto que tiramos nesse exato momento.

Uma década depois, em julho de 2007, eu e o agora Senador da República, Cristovam Buarque, nos encontramos no Cafezinho do Senado Federal, em Brasília. Conversamos sobre Educação, sobre os projetos do Senador e, obviamente, sobre Política. Saquei da pasta a velha foto que tiramos em 1996. Ao vê-la, Cristovam disse: “Poxa, você guardou isso? Olha como eu estava gordo e você era um moleque! Agora já é gente grande!”. Tiramos uma nova foto com o compromisso de que não deixaríamos passar outra década para um reencontro.

Todo esse relato tem um único objetivo: evidenciar minha admiração pelo Senador Cristovam. Não apenas pela arte da oratória, que lhe é nata. Mas por sua incansável luta em prol da Educação. Como cidadão que, de fato, realizou algo por ela, Cristovam, melhor que qualquer outro, pode defendê-la. Acho até engraçado quando assisto aos infindáveis anúncios do projeto “Todos pela Educação” e em como esse tema veio à baila nos principais (e hipócritas) discursos políticos deste ano eleitoral. E partindo justamente das pessoas que disparam contra Cristovam, quando presidenciável em 2006, apelidando-o de “candidato de uma nota só”. Parece até ironia do Destino!

A grande mentira começou a ser contada, em cadeia nacional, no último dia 09 de julho de 2008, durante a entrevista do Ministro da Educação, Fernando Haddad, no “Programa do Jô”, da Rede Globo. Haddad, questionado pelo apresentador Jô Soares sobre a exiguidade das verbas da Educação, afirmou que o Presidente Lula teve a “sensacional idéia” de destinar os royalties da produção de petróleo para sua pasta. Apesar de saber que o Ministro pratica taekwondo (e, portanto, correr o risco de apanhar), sinto-me obrigado a desmentí-lo veementemente e com subsídios oficiais.

Desde os recentes anúncios das descobertas de campos petrolíferos no litoral brasileiro, o Senador Cristovam Buarque lançou e defende a proposta de destinar os royalties do petróleo para investimentos na Educação. Tanto que, em 03 de abril de 2008, protocolou o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 00116/2008, que “acrescenta artigo 52-A à Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para estabelecer que os recursos recebidos por Estados e Municípios a título de royalties pela exploração de petróleo serão aplicados, exclusivamente, em ações e programas públicos de educação de base e de ciência e tecnologia.” Este PLS já foi aprovado pela Comissão de Educação e encaminhado do Presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, que, estima-se, coloque-o na pauta de votações.

Portanto, o autor da idéia, e dos mecanismos legais para colocá-la em prática, é o Senador Cristovam Buarque e não o bazófio Presidente Lula. Para o bem da verdade, que seja feita justiça à nobre iniciativa de Cristovam, afinal, como já disse, sobram pais para belos filhos. Neste caso, tal qual um exame de DNA, não restam dúvidas quanto à paternidade: quem deixa esse legado petro-educacional é o Senador Cristovam Buarque.

Aliás, escrever esse artigo foi nostalgia pura. Quando começamos a contabilizar em décadas os eventos importantes de nossas vidas, temos um sinal claro da efemeridade da existência e do quão breve é o tempo. Em outubro chego à minha terceira década de vida e já lamento por estar inserido nessa “quase-década-lulística”. Como bem disse Cristovam, “os anos Lula serão lembrados como anos de silêncio intelectual.” Infelizmente.

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