Segunda-feira, 9 de março de 2009 - 14h56
Bruno Peron Loureiro
O que faria uma mulher crescer acreditando que é inferior ao homem ou que carece de virtudes que só este tem? É justo que algumas diferenças anatômicas e hormonais coloquem um dos sexos abaixo socialmente do outro? E se tudo o que nos vêm contando fosse o contrário ou a mulher tivesse sido essencialmente idêntica ao homem?
Ficção? Nem tanto. É só entender a lógica social do que nos inculcaram abusando da credulidade da infância.
Tentarei desfiar algumas destas questões em saídas que têm sido dadas pelo diálogo e ativismo. A questão de gênero (ou sexo) é uma chama cuja intensidade oscila com qualquer sopro. Costuma-se discuti-la a partir de posições apaixonadas. O feminismo expande-se no mundo como movimento social e proposta de reinserção das mulheres.
Desde tempos imemoráveis, a mulher ocupava posição subordinada ao homem. Em algumas comunidades, ela ainda aceita o destino pré-natal de cuidar da casa, receber salários inferiores para a mesma função, ser vítima de abusos e violações, ocupar funções e cargos de destaque somente em ocasiões extraordinárias.
As diferenças entre os sexos são quase todas criadas socialmente. É o que explica que a mulher tenha tratamentos diferenciados de acordo com os costumes de cada país. Em alguns, ela não pode mostrar o rosto em lugares públicos e deve usar véu para cobri-lo; noutros, ela tem o clitóris extraído porque os costumes condenam o prazer sexual.
Quanto mais fechada for uma sociedade, mais a pessoa cresce achando que é tudo normal e que, dependendo do país, não há nada de errado em que um sexo se subordine a outro. O Brasil é um país com resquícios de machismo, embora a situação tenha mudado muito. Desvelou-se a falsa justificação do domínio do homem sobre a mulher.
O movimento feminista pressiona a favor da quebra destes usos, ainda que se critique que ele tem-se aproveitado da situação para conquistar objetivos pessoais, como cargos políticos e posições econômicas faustosas. O feminismo não é uma luta unificada, visto que há divergência de propostas e ideais entre seus adeptos.
Há mulheres que se dedicam a justificar a superioridade ou a igualdade delas em relação aos homens, ou estudar a origem do feminismo e seu impacto, ou mobilizar-se a favor de melhores salários, ou candidatar-se a cargos de representação política, ou formar organizações de proteção dos direitos humanos. Cada adepta se organiza a sua maneira.
A luta da mulher por reconhecimento e igualdade de direitos é pertinente e deveria ter surgido até mais cedo. É prometedor junto de outras batalhas travadas por grupos minoritários, que têm recebido cada vez maior atenção num mundo amparado pelas diferenças. O risco, porém, é o de a mulher achar-se melhor que o homem em vez de igualar-se.
Dizem que a mulher é mais sensível e que esta virtude poderia combater grandes males da humanidade. Não se devem esquecer, contudo, que homem também chora. Ou guarda as mágoas para preservar a tradição machista.
Fonte: Bruno Peron Loureiro é analista de desenvolvimento e relações internacionais.
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