Porto Velho (RO) quinta-feira, 22 de agosto de 2019
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Abolição: liberdade para o sofrimento


Abolição: liberdade para o sofrimento - Gente de Opinião

Professor Nazareno*

Hoje é dia 13 de maio. E os negros atuais no Brasil não têm muita coisa para comemorar nesta data. A Lei Áurea não significou absolutamente nada para quem viveu toda a vida trabalhando sem dignidade e esperanças. Último país das Américas a libertar os negros, o Brasil deu a liberdade aos seus escravos e “se esqueceu” de indenizá-los corretamente como fizeram muitas outras nações, inclusive os Estados Unidos. Na maioria desses países, além da liberdade, uma boa quantia em dinheiro ou um pedaço de terra era o que cada negro recebia como pagamento por tantos anos de exploração. Era pouco, mas dava para começar e tocar a vida a partir daquele momento. Inconformada com a abolição dos escravos, a elite branca brasileira “se vingou” dos negros ao mandá-los solenemente para o olho da rua “com uma mão na frente e outra atrás”.

Mas o pior ainda estava por vir: na hora de contratar os negros como mão de obra assalariada, a elite branca do centro-sul do país deu preferência aos imigrantes desempregados da Europa e do Japão e para isso vários navios foram fretados pelos ricos brasileiros com o objetivo de trazer os novos trabalhadores brancos. “Os negros são preguiçosos demais” teriam dito alguns latifundiários quando alguém deu a ideia de contratar os antigos escravos para tocar as lavouras cafeeiras e a riqueza produzida no país. A elite brasileira sempre foi burra como disse o ex- presidente Fernando Collor, e se esquecer de que os negros discriminados, analfabetos, desempregados, escorraçados e violentados estavam morando no meio de todos nós foi a maior prova desta burrice, além de falta de patriotismo e por que não dizer de humanidade também.

Como podiam e aos poucos, os nossos afrodescendentes foram se integrando ao cotidiano do Brasil. Sempre discriminados e vivendo à margem da sociedade, muitos desejavam voltar à vida que levavam nas senzalas. “Pelo menos lá se tinha um prato de comida diária, água fresca para beber e um teto para se abrigar da chuva e do frio”, devia ser o pensamento de muitos deles. O Brasil é um país racista, sempre foi. Caso contrário não teria feito isto com quem participou efetivamente da produção de quase tudo o que havia por aqui. Ainda hoje sentimos as consequências deste verdadeiro Holocausto que fizeram com os nossos antepassados de cor. E essa história de que somos uma pátria multirracial é conversa fiada. Na maioria das vezes essa diversidade racial se deu por meio de estupros que o homem branco cometeu contra as negras.

Por isso, nesta fatídica data não há nada para se comemorar por aqui. Os negros foram proibidos de falar os seus idiomas originais, proibidos de professar a sua religião e em muitos casos obrigados a “viver a vida dos brancos exploradores e opressores”. Se a Princesa Isabel tivesse mandado fuzilar todos os negros, talvez tivesse poupado tanto sofrimento aos mesmos. Vítimas de racismo até hoje, quando conseguem ser bons jogadores de futebol ou se destacar em outros esportes, são achincalhados e humilhados mundo afora. Porém, nada justifica tentar consertar um erro histórico cometendo outros erros no presente. É o caso das cotas raciais e de outros mimos criados sob medida por governos demagogos para aumentar ainda mais o preconceito contra esses nossos irmãos. E como o Brasil é um país multirracial, devemos entender que estamos todos no mesmo barco e nas mesmas águas turvas. Brancos, negros, imigrantes, latinos, orientais ou índios. Todos brasileiros e vivendo em função de uma única causa: o Brasil. Sonho?

*É Professor em Porto Velho.

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