Segunda-feira, 10 de novembro de 2025 - 10h18

Estive
pensando muito sobre o impacto das novas tecnologias, especialmente sobre o
papel da Inteligência Artificial em tudo que fazemos. E quanto mais observo o
avanço da IA, mais me chama atenção uma outra tecnologia que, embora menos
‘popular’, é absolutamente indispensável para esse novo mundo digital: a
cibersegurança.
E
tem mais, a cibersegurança não é (ou não deveria ser) um assunto exclusivo de
grandes corporações, bancos ou empresas de tecnologia. Ela diz respeito a
qualquer pessoa, negócio, associação ou organização que esteja presente na
internet e armazene dados de terceiros. Convenhamos que, hoje, isso significa
praticamente todas as pessoas, negócios e instituições.
Ao
ler nos últimos dias sobre o vazamento de 180 milhões de e-mails e senhas do
Gmail, fiquei me perguntando: com tantos avanços em inteligência artificial,
com tanta automação e tecnologia de ponta, como ainda é possível acontecer algo
assim? Será que faltou tecnologia? É excesso de tecnologia? Ou o problema está
em outro lugar? Talvez o problema não esteja na tecnologia em si, mas na forma
como lidamos com ela.
É
amplamente falado, que vivemos a era da informação. Tudo que fazemos deixa
rastros digitais e a IA aprendeu a usar essas informações para personalizar,
prever e sugerir, entre outras alternativas. Mas o que muitos esquecem é que
esses mesmos registros digitais também são um dos alvos mais cobiçados por
aqueles que agem fora da lei.
Daí
a importância da proteção de dados. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
(LGPD – Lei nº 13.709/2018) nasceu justamente para criar um escudo entre o
avanço tecnológico e o uso irresponsável da informação. Seu artigo 46 é claro
sobre seu papel:
“Os
agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e
administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e
de situações acidentais ou ilícitas de
destruição,
perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou
ilícito.”
Desta
forma, quando ocorre um vazamento, como o que foi noticiado envolvendo o Gmail,
a LGPD impõe que a empresa notifique a Agência Nacional de Proteção de Dados
(ANPD) e os titulares afetados, explicando o que aconteceu, quais dados foram
expostos e quais medidas estão sendo adotadas. Ignorar essa etapa é violar a
própria lei e pode gerar sanções severas, que vão de multas à responsabilização
civil.
Em
casos deste tipo, existe constantemente a sensação de impotência. Afinal, não
temos um forte controle sobre o que as grandes plataformas fazem com nossos
dados. Mas a LGPD garante direitos muito claros aos titulares, são eles:
·
Saber se uma empresa trata seus dados e para qual finalidade;
·
Solicitar a exclusão ou correção dessas informações;
·
Exigir reparação por danos morais e materiais em caso de vazamento.
Além
disso, vale reforçar, que cada um de nós também tem um papel na própria
segurança digital. As trocas de senhas com frequência, uso de autenticação em
dois fatores e desconfiar de e-mails e links suspeitos são medidas simples que
fazem diferença e marcam nosso interesse em ajudar nesse novo espaço social.
Quando
se fala em cibersegurança, a maioria das pessoas deve pensar em antivírus e
sistemas complexos, mas a segurança digital começa muito antes disso, e tem
início na cultura da empresa e no comportamento das pessoas. De nada adianta
ter a tecnologia mais cara do mundo se o colaborador clicar com frequência em
links errados.
A
adequação à LGPD, portanto, vai muito além da formalidade documental. Trata-se
de um processo de conscientização e de mudança de mentalidade. Empresas que
tratam a proteção de dados como prioridade estão não apenas cumprindo a lei,
mas preservando sua reputação, credibilidade e relação de confiança com o
cliente.
Nesse
novo mundo onde a IA está se tornando onipresente e os ciberataques mais
sofisticados, a cibersegurança deixou de ser uma questão apenas mais técnica.
Ela é jurídica, estratégica e humana. O caso
do
Gmail é um lembrete de que os dados são a nova riqueza digital. Portanto,
proteger informações é proteger pessoas e seu patrimônio.
Para
enfrentar esses entraves dos novos tempos cibernéticos, inúmeras empresas se
anteciparam, e buscam assessoria jurídica especializada em LGPD e investem em
práticas de segurança, e não apenas para evitar multas. Mas estão demostrando
sobretudo respeito, porque, no fim das contas, a confiança ainda é um dos
ativos mais valiosos do mundo digital.
*Andrea Mottola é advogada especialista em Direito do Consumidor e Direito Digital.
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