Quinta-feira, 25 de julho de 2024 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

A quixotesca derrota de Lula


 

 

O nosso gabola presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de receber, em Toledo, na Espanha, o I Prêmio Internacional Dom Quixote de La Mancha por difundir o idioma e a cultura espanhóis no Brasil. Levando em consideração o ar burlesco da nomenclatura da honraria, não é de se duvidar que trata-se de mais uma piada espanhola e os motivos da comicidade do ato nem precisam ser escritos, evitando assim uma indelicadeza frontal com o “magnânimo” chefe da nação, apesar da grande vontade de cometê-la. Logo depois, Lula segue viagem para a Índia e estica a jornada até Moçambique.

 

A decisão do presidente de manter-se em viagens internacionais por boa parte do mês de outubro é absolutamente sábia. A proposta premente no Palácio do Planalto é descolar a imagem de Lula das prováveis derrotas que sofrerá no segundo turno das eleições majoritárias das três principais capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em todos os casos, os candidatos apoiados por Lula (que gabava-se de ter popularidade para eleger até poste), vivem momentos difíceis e já estão perdendo o controle (e o nível) de suas campanhas. Como estamos falando dos três maiores colégios eleitorais da nação, a decisão das urnas de 26 de outubro de 2008 pode antecipar o resultado das eleições presidenciais de 2010, além de promover um racha federal no PMDB, principal aliado do PT na base governista.

 

Na capital mineira, a tão questionada aliança entre PT e PSDB para eleger o candidato do PSB, Márcio Lacerda, restou, até agora, não aprovada pelo eleitorado. A verdade é que o governador tucano Aécio Neves e o prefeito petista Fernando Pimentel colocaram no “tubo de ensaio” uma experiência com foco direto no fortalecimento de seus nomes para as eleições de 2010. A aliança “tucapeta” mineira não só está afundando como acabou produzindo um novo ídolo jovem: aos 33 anos de idade, Leonardo Quintão, do PMDB, está prestes a se tornar prefeito de Belo Horizonte. Além de derrotar o candidato de Lula e acabar com o espectro de imbatibilidade hegemônica de Aécio Neves em Minas Gerais, a possível vitória de Quintão fortalece a pré-candidatura peemedebista do ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao governo do Estado. Do outro lado da corda estará o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ou o atual prefeito Fernando Pimentel, ambos do PT. Teoricamente enfraquecido, Aécio, além de perder a possibilidade de disputar a sonhada Presidência da República, pode terminar humilhado, ou até mesmo aniquilado, dentro do clã tucano nacional.

 

Já o Rio de Janeiro vive um dos momentos mais interessantes de sua História Política. O candidato de Lula, o deputado estadual petista Alessandro Molon, e a candidata do atual prefeito César Maia, a deputada federal democrata Solange Amaral, tiveram um desempenho pífio (e até mesmo vexatório) no último dia 05 de outubro. No segundo turno das eleições, o carioca terá de escolher entre dois candidatos completamente díspares: o experiente e antológico deputado federal Fernando Gabeira, do PV, e o jovem e ambicioso Eduardo Paes, agora do PMDB. Entre as doses de excentricidade do primeiro e de oportunismo do segundo, a Cidade Maravilhosa também antecipa o embate de 2010, já que o vice de Gabeira é do PSDB e Paes capitaneia o apoio do atual governador Sérgio Cabral Filho e, agora no segundo turno, do presidente Lula, a quem chamou de “chefe da quadrilha” durante sua participação nas investigações do escândalo do mensalão. Enquanto Paes, aos 38 anos, representa a falida política tradicional, Gabeira, aos 67 anos, é a sensação do momento em termos de renovação política no “paraíso tropical” brasileiro e mostrou-se um fenômeno absoluto, saindo de míseros 5% nas pesquisas eleitorais do primeiro turno para chegar ao favoritismo nessa etapa, mesmo diante da “central de boatos”, onde “bocas de aluguel”, correligionários de seu adversário, percorrem a cidade acusando Gabeira de ser gay, viciado em drogas e ateu, além de afirmarem que ele irá “reforçar a merenda escolar com drogas”. Diante desses absurdos, Paes está afundando e Gabeira vem exibindo excelente blindagem contra as calúnias e difamações do adversário.

 

No entanto, os olhos do Brasil estão na disputa pela prefeitura de São Paulo, o mais claro prognóstico para 2010. Lula e o PT já festejavam um provável retorno de Marta Suplicy ao comando da maior cidade da América Latina quando foram atropelados pelo atual prefeito democrata, Gilberto Kassab, que, além de ganhar o status de político mais votado do Brasil no primeiro turno, tornou-se, imediatamente, a locomotiva principal da provável candidatura presidencial do governador tucano José Serra, que, por sua vez, é seu fundamental cabo eleitoral. O fato de Kassab já apresentar, segundo as pesquisas, 54% das intenções de votos contra 37% de Marta, assustou a campanha da petista que, ânimos exaltados, partiu para o ataque pedestre ao adversário. A moderna e (pretensa) chique sexóloga paulistana desceu do salto alto e baixou o nível da campanha, chegando a colocar em xeque a orientação sexual de seu adversário. No desespero, onze ministros do governo lulista partiram para São Paulo na tentativa de apoiar Marta. Nada disso está surtindo o efeito esperado. Ao contrário, a derrota de Marta Suplicy é cada dia mais evidente e a ex-ministra do Turismo tem tudo para se tornar o maior “tiro no pé” do presidente Lula.

 

No âmbito geral, divulga-se a vitória do PMDB e do PT nas eleições de 2008. No entanto, são apenas aparências. Os dois partidos ampliaram seus domínios nas pequenas cidades, onde as verbas do Governo Federal são decisivas. A verdade é que, no interior, as políticas partidárias são praticamente inexpressivas e na cartilha dos prefeitos reza a tática de sempre estar do lado de quem está no poder. Assim sendo, caso Serra confirme seu favoritismo e vença as eleições de 2010, a grande maioria desses administradores municipais irá migrar para um dos partidos que venham a compor a base aliada, preferencialmente o partido do presidente da República ou do governador de seu Estado. A regra que vale é a possibilidade de liberação e aumento de recursos federais e estaduais para suas cidades.

 

Assim sendo, confirmadas as vitórias de Gilberto Kassab em São Paulo, Fernando Gabeira no Rio de Janeiro e Leonardo Quintão em Belo Horizonte, Lula sofrerá a maior derrota desde sua ascensão à Presidência da República, em 2003. E que ninguém se espante caso a popularidade do presidente inicie uma trajetória descendente e “notáveis” políticos comecem a caminhar na direção de José Serra e de partidos como o PSDB e o DEM. Marta Suplicy, Eduardo Paes e Márcio Lacerda podem amargar eternamente a responsabilidade por terem empurrado Luiz Inácio Lula da Silva rumo ao primeiro passo de seu degredo. Mas, antes do esquecimento, o quixotesco Lula tentará emplacar um sucessor (ou sucessora, como estão alardeando). Resta apenas saber qual petista irá receber a pitoresca missão de ser o Sancho Pança em 2010 e de escrever as derradeiras palavras da Era Lula.


A quixotesca derrota de Lula - Gente de OpiniãoHELDER CALDEIRA

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 25 de julho de 2024 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Tantos partidos gravitando em torno da candidatura Mariana Carvalho podem ser um problema na hora de dividir o bolo

Tantos partidos gravitando em torno da candidatura Mariana Carvalho podem ser um problema na hora de dividir o bolo

Li que a ex-deputada federal Mariana Carvalho conseguiu reunir onze partidos em torno de sua candidatura à prefeitura de Porto Velho. Um número bast

Os 30 anos do Estatuto da OAB

Os 30 anos do Estatuto da OAB

Feliz do país que preserva, valoriza, respeita as nossas instituições, o regime democrático e a liberdade de expressão, independentemente das suas d

Porto Velho – a pior cidade para se viver!

Porto Velho – a pior cidade para se viver!

Mais uma notícia triste e, ao mesmo tempo, revoltante para nós portovelhenses, saiu no site o Antagonista. Porto Velho foi considerada a pior cidade

O perigo do “já ganhou”

O perigo do “já ganhou”

Na recente pesquisa eleitoral para a prefeitura de Porto Velho, a ex-deputada federal Mariana Carvalho aparece na frente com quarenta por cento das

Gente de Opinião Quinta-feira, 25 de julho de 2024 | Porto Velho (RO)