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A midiatização da greve


A midiatização da greve - Gente de Opinião

Despojado da sua principal característica: a capacidade de mobilização das massas, o movimento sindical enfrenta enorme dificuldade de persuasão dos seus associados em Rondônia e inaugura a etapa da midiatização da greve, ao anunciar pelos veículos de comunicação o dia e a hora da paralisação antes mesmo de quaisquer conversações sobre as reivindicações.

Sem sucesso no desenvolvimento das estratégias de renovação dos seus quadros, de onde emergiram lideranças do tradicional sindicalismo doutrinário, com ramificações na Central Única dos Trabalhadores (CUT), e do pseudo avanço do sindicalismo de resultados defendido pela Força Sindical, só restou mesmo apelar para a tática do “grevismo”.

Mais ou menos assim: radicaliza-se para depois buscar a mesa de negociação com o patrão, que, no serviço público, por exemplo, começou a avocar a lei de responsabilidade fiscal e bater o pé para negar qualquer pretensão dos trabalhadores públicos no sérvio público. Na iniciativa privada o fenômeno do desemprego continua a regular a participação do operário.

Cenário perfeito! Sem poder de mobilização e conteúdo programático – ideológico – não restou mesmo às entidades sindicais outra opção a não ser a contratação de jornalistas especializados em assessoria de imprensa para corroborarem com o processo de “midiatização da greve”.

É dessa forma que, a greve sai direto da sala dos dirigentes do movimento sindical e ganha repercussão nos sítios de notícias e redes sociais pela livre e expressa vontade de quem deveria exercitar e praticar o convencimento como instituto de conscientização dos associados.

A greve ganha, então, caráter tecnicista e deságua sempre em novo litígio no Judiciário, pelo fato das entidades abandonarem o diálogo e partirem de imediato para o radicalismo, com raras exceções.

Talvez por isso, sindicatos como o Singeperon, Sinjur, e agora o Sticcero, reeditem tantos e sucessivos comunicados de greve e distribuam aos meios de comunicação para no dia seguinte voltarem atrás.

Fonte: Blog do Bidu, do jornalista de Opinião Abdoral Cardoso
 

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