Porto Velho (RO) sexta-feira, 10 de abril de 2020
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Perdas dos EUA com eventos climáticos chega a US$ 35bi



Além da instabilidade financeira, os Estados Unidos também estão enfrentando o que está sendo considerado um dos anos climáticos mais extremos da história. A seca que atinge o Texas é a mais severa desde 1930 e os prejuízos com tempestades em outros estados alcançam os US$ 20 bilhões. Por isso, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) lançou na última quarta-feira (17) um plano para tornar o país mais preparado para incidentes meteorológicos.

Nos EUA, o número de catástrofes climáticas triplicou nos últimos 20 anos, chegando a um recorde de 250 em 2010. No primeiro semestre deste ano, a maior economia do mundo já foi atingida por nove desastres meteorológicos, que causaram um estrago de cerca de US$ 1 bilhão cada. E vem mais por aí: a NOAA prevê que, só de tempestades, serão 19 no país em 2011.

As sete que já ocorreram causaram uma perda que chega a US$ 20 bilhões, contra uma média de US$ 10 bilhões por ano nos últimos três anos. Desde 1980, só os prejuízos com esse tipo de evento meteorológico aumentaram em cinco vezes. O rombo financeiro do total de incidentes em 2011, até agora, chega a US$ 35 bilhões. E isso que a estação de ciclones mal começou.

Felizmente, os EUA não são castigados por furacões há três anos, mas de acordo com Jack Hayes, diretor do Serviço Meteorológico Nacional da NOAA, isso causa uma falsa segurança na população do país. “Esse é o tipo de coisa que acalma as pessoas. Mas queremos que elas fiquem vigilantes. Não acho que é preciso um adivinho para prever que 2011 será provavelmente um dos anos mais extremos para o clima na história”, alertou.

Um dos estados mais atingidos pelos eventos climáticos extremos é o Texas, que desde 1930, quando aconteceu a chamada Dust Bowl – uma tempestade de areia que durou quase dez anos –, não vê seca tão rigorosa quanto a que assola a região atualmente. Além desse evento, temperaturas altas e incêndios já fizeram o estado perder cerca de US$ 5,2 bilhões em colheitas. Para se ter ideia, entre 1998 e 2010, a agricultura do Texas perdeu US$ 13,1 bilhões.

“Ainda pode haver algumas perdas lá quando virmos o que foi colhido. Acho que isso vai se tornar maior”, declarou David Anderson, economista do Serviço de Extensão AgriLife, organização que oferece programas educacionais e serviços de agricultura para a população texana.

Por tudo isso, a NOAA apresentou nesta quarta-feira (17) uma campanha nacional para preparar os norte-americanos para estes eventos meteorológicos e seus impactos. “Um clima severo representa uma ameaça muito real para a segurança pública e requer medidas adicionais enérgicas. Os crescentes impactos dos desastres naturais, como foi visto neste ano, são um lembrete cruel das vidas e dos meios de subsistência em risco”, lembrou Hayes.

Em parceria com outras agências governamentais, pesquisadores e o setor privado, o Serviço Meteorológico Nacional da NOAA pretende tornar os EUA um país preparado para as consequências dos eventos climáticos extremos. O plano visa, entre outras questões, melhorar as previsões e comunicação de acontecimentos meteorológicos, fortalecer parcerias para aumentar a preparação da comunidade, aperfeiçoar a segurança, gerir eficientemente os recursos ambientais e impedir comportamentos de risco.

O Serviço Meteorológico Nacional também planeja testar alguns projetos de base comunitária que variam de preparos para situações de emergência a previsões ecológicas, para aumentar os esforços de prevenção da agência. Os projetos-teste deverão começar na Costa do Golfo do México e no sul e no centro da Costa Atlântica.

“Em última análise, esses projetos fornecerão planos de ação específicos necessários para nos adaptarmos a eventos climáticos extremos e representam um passo importante na construção de uma nação pronta para o clima”, explicou o diretor do Serviço Meteorológico Nacional.

Embora tenha afirmado que ainda não há certeza se esses eventos extremos estão ligados diretamente às mudanças climáticas, a NOAA sugeriu que este aumento no número de incidentes meteorológicos está ligado ao crescimento da população, principalmente nas áreas de alto risco, e que é necessária a participação de todos para preparar a população para essa nova realidade.

“Construir uma nação pronta para o clima é responsabilidade de todos. Começa com o Serviço Meteorológico Nacional e gestores de emergência, mas acaba com ações de indivíduos e empresas para reduzir seus riscos. Quanto mais preparadas as comunidades estiverem para o clima destrutivo, menos custo humano e econômico experimentaremos no futuro, e isso é uma grande coisa para o país”, disse Eddie Hicks, presidente da Associação Internacional de Gestores de Emergência dos EUA.

Eventos climáticos extremos não estão ocorrendo somente nos EUA, uma onda de recordes de altas temperaturas tem atingido países como a Armênia, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a República do Congo. Até o Brasil está sofrendo com fenômenos climáticos, como a umidade do ar bem abaixo do normal que está castigando diversos estados.

O último ano foi considerado o mais quente desde o começo os registros, em 1880. Segundo a NASA, os anos mais quentes até agora são 2005 e 2010, seguidos por 1998, 2002, 2003, 2006, 2007 e 2009, e a década mais quente a de 2000-2009.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil) / Envolverde

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