Segunda-feira, 9 de março de 2026 - 18h51

O atual cenário geopolítico global traz alertas diretos para o setor
produtivo rondoniense. A escalada das tensões no Oriente Médio, particularmente
envolvendo o Irã, afeta as cadeias de fornecimento de insumos agrícolas,
exigindo atenção estratégica da indústria e do agronegócio.
No centro dessa dinâmica está a ureia, a fonte comercial mais
concentrada de nitrogênio disponível no mercado e um dos principais
fertilizantes utilizados nas lavouras. O Irã é um dos maiores produtores
globais desse insumo (cerca de 5 milhões de toneladas anuais) e atua como uma
peça-chave na diversificação de fornecedores para o Brasil, país que depende de
importações para suprir cerca de 85% do seu consumo interno de fertilizantes.
Os dados evidenciam a magnitude dessa relação comercial para o estado.
Em 2025, o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões do Irã, sendo US$ 66,8
milhões exclusivamente em ureia. No recorte regional, segundo levantamento do
Observatório da Indústria de Rondônia, o estado foi responsável por
aproximadamente 65% dessas importações nacionais, somando US$ 51 milhões em
compras do país do Oriente Médio. Desse montante, US$ 43,58 milhões
corresponderam apenas à aquisição de ureia.
Ainda segundo os dados do Observatório, o cenário de dependência
mantém-se acentuado no início de 2026, entre janeiro e fevereiro, o Irã figurou
como o terceiro principal parceiro comercial de importação do estado,
movimentando US$ 22,48 milhões. Desse total, a ureia representou US$ 21,49
milhões, configurando mais de 90% da pauta de importações iranianas para o
território rondoniense.
Além da importação de insumos, o Irã tem relevância como mercado
consumidor do milho produzido em Rondônia. Em 2025, 8% de todo o milho em grãos
exportado pelo estado teve o mercado iraniano como destino. Nos primeiros meses
de 2026, o Irã assumiu a liderança nas compras do grão rondoniense dos 21,4
milhões exportados no período, 13 milhões foram direcionados ao país,
correspondendo a mais de 60% da exportação.
Diante desse quadro, notas técnicas urgentes elaboradas pela
secretaria-executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
classificaram o atual cenário geopolítico como de elevadíssimo risco para o
agronegócio nacional. Há um temor formal do governo quanto ao desabastecimento
de fertilizantes e à disparada dos preços internos no segundo semestre.
A Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) aguarda a
rápida resolução do conflito e aponta a diversificação ativa de fornecedores
como solução estratégica para garantir a operação e o trabalho contínuo no
campo. Para manter a competitividade das safras, o estado necessita
intensificar as importações de ureia de países parceiros como Venezuela,
Bolívia, Rússia e Nigéria, suprindo a demanda atualmente atendida pelo Irã.
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