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Impactos da crise financeira preocupam movimentos sociais do Mercosul



Mylena Fiori
Agência Brasil

Salvador - O impacto da crise financeira internacional nas populações mais vulneráveis da região preocupa a sociedade civil organizada sul-americana. O tema foi um dos principais eixos de debate entre os cerca de 500 representantes de movimentos sociais que participaram da Cúpula dos Povos do Sul, realizada nesse final de semana em Salvador (BA).

O encontro ocorreu paralelamente a outras atividades preparatórias à Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, marcada para amanhã (16) na Costa do Sauípe (BA), de forma a articular as propostas dos povos da região para o processo de integração.

"Nossa preocupação é de que nesse processo de crise se proteja o processo de integração e, principalmente, se proteja os setores mais desprotegidos da sociedade, que são os trabalhadores, as mulheres, as crianças e os adolescentes. São eles que sofrem quando há cortes de recursos públicos", resume Messias Neto, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Os movimentos também questionam o financiamento de um processo de desenvolvimento autônomo e apontam a criação de instituições financeiras, como o Banco do Sul, como uma das saídas para a construção de uma nova arquitetura financeira regional e global. "A crise deve servir para a construção de uma nova ordem financeira internacional, onde os banqueiros tenham menos poderes e predominem os interesses das nações e dos povos. Queremos instituições financeiras multilaterais com controle social e político, e não dependentes dos governos centrais", diz Neto.

Outras preocupações da sociedade civil são o crescimento baseado na exportação de matérias-primas e a proliferação de tratados comerciais com os Estados Unidos. "Gostaríamos que os governos se distanciassem de algumas políticas dos Estados Unidos, reafirmassem  a autonomia da região e implementassem mecanismos concretos de implementação de questões como a superação da pobreza e a melhoria da qualidade da educação",  afirma Enrique Daza  da Red Colombiana de Acción Frente ao Libre Comercio (Recalca). "Há ênfase dos governos nos temas sociais, mas se não há reformas econômicas que garantam isso, pode ficar só na retórica", acredita.

Juan Gonzalez, da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA), chama a atenção para a oportunidade histórica que a crise do sistema financeira apresenta aos países da região. "A identidade histórica da América Latina é de luta de liberação antiimperialista e anticapitalista. Portanto, o grande desafio é que a luta pela liberação se converta em construção de soberania", avalia. "A mensagem aos governos, que também estão discutindo quais são as políticas de unidade latino-americana para enfrentar a crise, é que assumam essa oportunidade histórica, uma vez que os povos estão mobilizados. Assim como lutamos contra a Alca [Área de Livre Comércio das Américas], hoje estamos dispostos a construir a soberania destes povos em seus recursos, em seu modelo produtivo, alimentar", frisa.  

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