Porto Velho (RO) sexta-feira, 3 de abril de 2020
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Brasil cai em ranking mundial de liberdade de imprensa


A classificação foi feita levando em conta o papel da imprensa em 169 países

O Brasil caiu nove posições no ranking mundial de liberdade de imprensa e ocupa hoje o 84º lugar. A classificação foi divulgada pela organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras, que avaliou 169 países.

É o sexto ano consecutivo que a entidade publica o levantamento. Nesse período, o Brasil registra expressiva queda. Em 2002, estava na 54ª classificação. No ano seguinte, passou para o 71º lugar. Depois ficou dois anos estável, em 66º e 63º, e a partir daí voltou a cair.

Na América do Sul, os brasileiros ficaram com a quinta pior classificação de liberdade de imprensa. O país está à frente de Colômbia, Peru, Venezuela e Paraguai, que ocupam, respectivamente, os 126º, 117º, 114º e 90º lugares no ranking

A classificação serve para medir o grau de liberdade que os jornalistas e os meios de comunicação desfrutam em cada país. Serve, também, para avaliar as medidas criadas pelos Estados para respeitar a liberdade de imprensa.

O estudo é uma fotografia da situação da mídia em determinado momento. Leva em conta fatos ocorridos entre 1º de setembro de 2006 e 1º de setembro deste ano.

A avaliação considera um conjunto de violações dos direitos humanos. Verifica quantos jornalistas foram mortos, feridos ou detidos. Vê, ainda, quantos estão enfrentando processo ou sofreram censura prévia de suas reportagens.

'Censura preventiva'

Não há detalhes específicos sobre os motivos que fizeram o Brasil despencar no ranking. Mas o site da ONG registra alguns fatos ocorridos neste ano que considera preocupantes.

“Repórteres sem Fronteiras está preocupada com a recente multiplicação de medidas de 'censura preventiva' tomadas contra a mídia brasileira. Essas medidas emanam de autoridades locais e, em geral, não dão lugar a recursos”, diz a página.

A entidade faz referência a alguns casos em seu site. Um deles é a ação na Justiça da Bahia que determinou a apreensão de 30 mil exemplares de uma edição do jornal da rede Metrópole que tinha uma caricatura do prefeito de Salvador, Luiz Henrique.

Há ainda registros semelhantes em Vinhedo (SP), Itaquaquecetuba (SP) e Joinville (SC).

A ONG também repudia o ataque ao apresentador da Rede TV Rondônia, Domingues Júnior, o assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, no interior de São Paulo, e um incêndio criminoso que destruiu a sede da redação do Tribuna do Povo, em Minas Gerais.

Em relação ao governo federal, Repórteres sem Fronteiras manifesta preocupação sobre as conseqüências da decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) de convocar os políticos a uma mobilização contra setores da mídia que fazem reportagens contra o partido e contra o governo do presidente Lula.

"Esta decisão nos parece inoportuna e sem fundamento", avalia a Repórteres sem Fronteira. A organização lembra que a imprensa fez críticas ao atual governo, mas não deixa de criticar representantes dos partidos de oposição citados em casos de corrupção, abuso de poder e fraude.

Liberdade no mundo

No ranking divulgado pela Repórteres sem Fronteiras, a Eritréia ficou na última posição. O estudo diz que a imprensa privada no país africano desapareceu. Quatro jornalistas foram mortos. "E temos razões de sobra para acreditar que acontecerá o mesmo com outros", declarou a ONG.

Entre os 20 países pior classificados sete são asiáticos, cinco africanos, quatro do Oriente Médio, três da antiga União Soviética e apenas um das Américas: Cuba.

Os dez melhores estão na Europa: Islândia, Noruega, Eslováquia, Estônia, Bélgica, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Irlanda e Portugal.

Fonte: BBCBrasil

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