Terça-feira, 23 de abril de 2024 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Temporal castiga estradas e prejudica escoamento de leite na região central do Estado


Grande parte das estradas vicinais dos municípios rondonienses está novamente a mercê do rigoroso inverno amazônico que se aproxima. A diferença entre vias de responsabilidade do Estado e municípios é nítida em dias de muita chuva. Na região central, a falta de manutenção já prejudica o escoamento da produção leiteira.

Daniel Panobianco - O forte temporal que castigou vários municípios de Rondônia na noite de quarta-feira e toda a madrugada de ontem, foi mais intenso na zona rural, com reflexos de imediato no aumento do nível de rios e nas condições de trafegabilidade em muitas estradas vicinais, algumas, importantes vias de acesso em escoamento da produção agrícola.

Na região de Ji-Paraná, a chuva foi por demais severa e só ao final da tarde de ontem, a confirmação que de fato ocorreu forte precipitação em alguns pontos - comprometendo diretamente algumas linhas de acesso - veio ao conhecimento. Os caminhões que transportam o leite das fazendas para os laticínios foram os mais prejudicados pela ação da forte chuva e da falta de estrutura das estradas do município. O recolhimento do produto que é feito ainda nas primeiras horas do dia teve sua última carga chegando ao destino somente no final da tarde, quando parte da produção já tinha sido perdida devido à falta de refrigeração. As linhas 10, 11 e 20 foram as mais afetadas pelo aguaceiro, o que criou grandes atoleiros em diversos pontos. Pelo menos dois caminhões que fazem o transporte de leite ficaram mais de 10 horas atolados na estrada, sem condições da retirada do produto.

Pelo menos em Ji-Paraná, a diferença entre uma estrada, cuja manutenção é feita pela administração municipal e estadual é nítida e ao mesmo tempo vergonhosa. Todos os anos, a prefeitura realiza o serviço de terraplenagem, arrumando o que as águas do inverno amazônico passado levaram e abrindo novas vias para o escoamento e represamento da enxurrada. Este ano foi totalmente diferente, segundo o que afirmam diversos agricultores do município. A prefeitura não fez o serviço adequado na época da seca, que garantisse no mínimo a segurança de um transporte mais seguro e ágil das linhas. Somente em vias cuja responsabilidade é do governo estadual, a manutenção das mesmas foi impecável, com cascalhamento, aprofundamento de reservatórios de água e reforma em pontes. Por onde se passa, a conservação das estradas estaduais é nítida, mas se poucos quilômetros adiante, as de responsabilidade da administração municipal deixam a desejar, até mesmo na locomoção de veículos leves, não há produção agrícola ou até mesmo fluxo necessário em algumas comunidades que irá resistir a tanta chuva.

Esta foi apenas uma das tantas outras tempestades que vão castigar a região até março do ano que vem. Se em anos em que a conservação das vicinais é realizada, dificilmente sobram estadas intactas ao final do inverno amazônico, imagine agora, no inicio das chuvas, onde já existem pontos de atoleiros que ressurgem do ano passado causando prejuízos à economia local.

Esse ano, muitas prefeituras começaram a realizar obras, algumas de suma importância às cidades, para começar a então corrida política para as eleições de 2008. Obras conhecidas como as "visíveis", em que o eleitor consegue ver onde o dinheiro foi investido. As que são feitas debaixo da terra ou em regiões longínquas, com pouca concentração de pessoas, e conseqüentemente de eleitores, seria perca de tempo colocar homens e máquinas nas empreitas. Esse ainda continua sendo o pensamento e razão de muitos políticos do Estado.

E mesmo assim, quando são questionados por tais deficiências na realização de obras, sempre culpam o inverno amazônico pela impossibilidade na realização do trabalho. O gozado é que em Rondônia existem seis meses de chuva e outros seis de seca. Os políticos só lembram nos seis meses de chuva.
Fonte: De olho no tempo

Gente de OpiniãoTerça-feira, 23 de abril de 2024 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

EcoCast: série especial discute os desafios e oportunidades do mercado de carbono no Brasil

EcoCast: série especial discute os desafios e oportunidades do mercado de carbono no Brasil

Você sabe o que são os famosos créditos de carbono? E como eles funcionam, você sabe? Na série especial “Carbono: desafios e oportunidades” recebemos

Inovação e Sustentabilidade em Rondônia: UNIR e Eletrogoes Avançam na Pesquisa Florestal

Inovação e Sustentabilidade em Rondônia: UNIR e Eletrogoes Avançam na Pesquisa Florestal

O Grupo de Pesquisa de Recuperação de Ecossistemas e Produção Florestal, coordenado pelas Dra. Kenia Michele de Quadros e Dra. Karen Janones da Roch

Pesquisa estuda folha da Amazônia para substituição do mercúrio na extração de ouro

Pesquisa estuda folha da Amazônia para substituição do mercúrio na extração de ouro

Pau-de-balsa é uma espécie florestal nativa da Amazônia e já é utilizada de forma artesanal na Colômbia para extração de ouro.Agora, cinco instituiçõ

Ibama define nova prioridade para enfrentar perdas na biodiversidade e a crise climática

Ibama define nova prioridade para enfrentar perdas na biodiversidade e a crise climática

Neste ano em que completa 35 anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) comemora o impacto do trabalho

Gente de Opinião Terça-feira, 23 de abril de 2024 | Porto Velho (RO)