Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 - 13h21

O Carnaval de Porto
Velho será lembrado não apenas pelo ritmo nas ruas, mas pelas raízes que agora
crescem no solo do Assentamento Nova Conquista. A Ecoporé encerrou
a campanha “Para cada folião, uma árvore”, em parceria com o
bloco Pirarucu do Madeira. O evento não foi apenas uma “finalização
da temporada”, mas a celebração de um modelo de conservação que prioriza a
incidência territorial e o impacto real na vida das pessoas. O ato seguiu o
calendário de melhores condições climáticas para plantio na Amazônia. Para o
plantio foram consideradas mudas e a técnica de muvuca, mistura inteligente de sementes, escolhidas
cientificamente. Para 2026 a Ecoporé deixou aberta a sugestões da
base ações ecológicas similares.
A decisão de realizar o plantio nesta data específica reforçou um dos
pilares da Ecoporé: a escuta ativa. Ao atender ao pedido original dos moradores
e respeitar o tempo da comunidade, a ação transformou o rigor técnico em um
movimento de pertencimento. Esse elo entre a ciência e a vivência prática
ganhou rosto e mãos com a senhora Maria Auxiliadora Lopes Pinheiro.
Aos 81 anos, a pioneira da região foi a primeira a plantar, simbolizando que a
restauração da Amazônia depende do respeito à história de quem a habita.
“Eu fiz questão de participar e plantar uma das mudas. Eu gosto muito de
estar no meio das coisas da comunidade. Sempre acompanhei e fiz questão de
estar nessa ação. É interessante o contato com a terra, segurar ela, plantar. E
com a força de Deus a gente vai (sorri)”, afirma a pioneira ao ser questionada
sobre o contato da comunidade engajada na ação.
Para a presidente da Associação dos Produtores Rurais do Projeto Fundiário Nova Conquista (ASPRORCONQUISTA), Raimunda Luiza Nunes Moreira, o gesto é uma forma de cuidado que renova a esperança de uma comunidade resiliente: “Plantar árvore é cuidado mesmo. Tudo começou com a gente tendo o contato através da participação da Ecoporé na Agrotech, manifestamos o interesse e a Sheila (Noele, diretora técnica) ouviu e esperou a oportunidade. Quando ela retornou, ficamos muito felizes, e agora mais ainda com o resultado final. Aqui é fruto da enchente de 2014, éramos ribeirinhos, perdemos tudo e tivemos que recomeçar, então adquirimos a região. Então pra gente a mata tem grande importância. Só tenho que agradecer ao pessoal da Ecoporé, a todos que participaram e que isso se repita outras vezes”, celebrou.

Essa visão de interconexão entre os elementos da vida no campo foi amplificada por Sebastiana Cláudia, coordenadora de Rondônia do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), que viu no evento um espaço de união entre diferentes saberes: “Para nós, é um intercâmbio. Vir prestigiar porque plantar árvore é cuidar do meio ambiente, e ele está interligado: água, floresta, campo, ar e a própria terra”.
O Diretor Presidente da Ecoporé, Marcelo Ferronato, afirma que o maior resultado não é apenas o número de mudas ou a técnica de muvuca que foi implementada na ação, mas a integração de setores em prol de um bem comum. “O grande legado é justamente o entendimento que a sociedade não pode ser compartimentada. A gente une a cultura com o meio ambiente, fomenta a economia local, temos o entendimento que está tudo integrado. É o ensinamento da importância de unir as pessoas em torno de propósitos comuns”, explica Ferronato.
O sucesso da campanha reside na quebra da ideia de que a sociedade opera em compartimentos isolados. Ao unir o setor cultural à conservação, a ação conseguiu converter a festa em um ativo ambiental. Para Luciana Oliveira, presidente do bloco Pirarucu do Madeira, essa união ressignifica o papel da folia: “Ver a alegria do nosso Carnaval se transformando em floresta viva é a prova de que a cultura é uma ferramenta poderosa de conscientização e cuidado com o nosso estado”.
Essa sinergia contou com a presença da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA), da Secretaria Municipal de Agricultura (SEMAGRIC) e da Emater-RO, nesta ação.
Ao concluir o ciclo de plantios, que passou pelo Recanto Veredas e pelo IFRO Campus Calama, a Ecoporé conecta Porto Velho diretamente às metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG). A ação se alinha ao plano nacional justamente por aplicar na prática o que a estratégia brasileira defende: a restauração como motor de inclusão socioeconômica e o protagonismo das comunidades locais. Ao transformar a compensação de carbono em um projeto de base comunitária e engajamento cultural, a Ecoporé prova que a restauração na Amazônia só atinge escala e permanência quando a técnica caminha de mãos dadas com a dignidade e o saber de quem faz a história da terra.
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