Porto Velho (RO) quarta-feira, 16 de outubro de 2019
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Meio Ambiente

Surui usa tecnologia contra desmatamento




Povo Surui 
usa capacitação e
tecnologia para enfrentar
desmatamento

Nesta semana o Gentedeopinião ouviu o representante da comunidade Suruí, Almir Suruí, o mais novo de sete filhos de um dos caciques da tribo Sete de Setembro, localizada nos municípios de Cacoal e Ministro Andreazza em Rondônia e Rondôlandia é Aripuanã no Mato Grosso em um território de 248.196 hectares. Segundo ele a população Suruí, que em 1969 era de aproximadamente 5 mil pessoas, em pouco tempo foi reduzida em razão de conflitos e epidemias, atualmente são 1.200 indígenas. Almir Suruí teve a ousadia de procurar parceiros internacionais para enfrentar a onda de desmatamento e a invasão das terras indígenas. De acordo com Almir o Programa de Expansão do Google Earth no Brasil e o treinamento para a utilização dos recursos permitirá o uso em potencial de novas ferramentas para internet no âmbito do meio ambiente.   

Surui usa tecnologia contra desmatamento  - Gente de OpiniãoGOOGLE
De acordo com Almir Suruí, a parceria com o Google disponibilizará os limites da terra indígena Sete de Setembro, localizada no município de Cacoal/RO, usando o dispositivo de busca do Google Earth. Essa cooperação com o Google Eart também vai fornecer mapas da devastação na Amazônia e os possíveis aumentos das invasões de terras indígenas. 

Para Almir, isto faz parte de uma visão do Povo Suruí aliado a um planejamento de cinqüenta anos, visando o futuro, e a comunicação é fundamental para levar ao mundo como está a floresta e os povos indígenas. Na verdade diz Almir, existe a ameaça ao planeta do aquecimento global e partindo deste meio de comunicação que é a internet, os povos indígenas esperam contribuir para manter a floresta em pé, tendo qualidade de vida e trazendo benefícios não só para quem vive na floresta, mas para toda a humanidade. Almir entende que esse esforço tecnológico ajuda na vigilância e proteção ambiental às terras indígenas para evitar a invasão de madeireiros, posseiros e outras ameaças constantes ao território Suruí. O avanço da extração ilegal de madeira poderá ser evitado, já que essas imagens estarão disponíveis para visualização pública, afirma o líder indígena, Almir Suruí. 

Nessa capacitação que está sendo proporcionado pelo Google na Faculdade São Lucas (RO), ainda participam vários representantes de outros estados como Amazonas, Acre, Roraima e Mato Grosso. Segundo o indígena “todos temos um objetivo comum, fortalecer a cultura dos povos indígenas e a defesa dos nossos direitos políticos, além ajudar a frear o desmatamento, uma situação que é devastadora em Rondônia”. 


Surui usa tecnologia contra desmatamento  - Gente de OpiniãoFACULDADE SÃO LUCAS
Para Almir, a Google como empresa, pode contribuir para que os povos da floresta possam ter mais acesso ao mundo globalizado, na medida em que contribuem para inclusão digital. Agora não é só a empresa estrangeira, a própria Faculdade São Lucas está contribuindo para o nosso objetivo, pois atualmente, quatro indígenas estão estudando nos cursos de Administração, Biologia e Turismo. Nós entendemos que isto contribui para o fortalecimento, no futuro, da sustentabilidade e qualidade de vida do nosso povo além de trazer uma solução para o meio ambiente, e queremos partilhar essas idéias com outros povos. 

SUSTENTABILIDADE JÁ ACONTECE
Sobre a sustentabilidade, Almir disse que nas terras indígenas do sete de setembro no município de Cacoal, desde 2004 foram plantadas mais de 80 mil mudas de árvores, destas, 40 mil são frutíferas. Como toda a produção não será consumida, ele espera que daqui há dois anos o seu povo tenha condições de abastecer o município e assim gerar emprego e renda entre os povos indígenas, “isso  permitirá que a nossa cultura fique viva para sempre. Hoje o nosso povo já consome a produção deste projeto e ainda usa para confecção de artesanato”Surui usa tecnologia contra desmatamento  - Gente de Opinião

Quanto ao critério de replantio e variedades de plantas, Almir disse que o seu povo tem um conselho, que decidiu sobre os tipos de mudas que deveriam ser plantadas, e assim primeiro foi feito o plantio de mudas de espécies derrubadas por invasores, como Mogno, Cerejeira, e Ipê. A segunda etapa foi a plantação de árvores frutíferas como Açaí, Pupunha, Babaçu, Cacau. Todo este processo tem acompanhamento de engenheiros agrônomo e florestal que, pelo projeto, trabalham o reflorestamento onde ocorreu já desmatamento, depois as capoeiras e por último a idéia é enriquecer a floresta, que no total trabalha com treze espécies de plantas. 

Ainda falando do grande projeto dos povos indígenas, Almir Suruí enfatiza a importância dos parceiros, dentre eles a Associação de defesa Etno-ambiental Kanindé, Associação Água Verde, CT Brasil, FUNAI, Ministério do Meio Ambiente, Município de Cacoal, Polícia Ambiental, todos com intuito comum de construir políticas publicas, trazer benefícios para a comunidade indígena e criar geração renda verde. 

FLORESTA
Na opinião de Almir, “existe uma grande pressão para desmatamento, falta implementação de políticas públicas. Infelizmente o que mais aparece na mídia é o conflito do poder econômico que acha que desmatar é desenvolver”, mas nós queremos mostrar que manejar floresta também trás desenvolvimento econômico. Hoje existe muito desmatamento e pouca fiscalização, e isto nos preocupa, pois explorar floresta na clandestinidade não é legal, acaba afetando o futuro, pois se acabar a floresta, onde o crescimento vai buscar outra floresta, temos que ter critérios para manejar a floresta e equilibrar esse crescimento econômico. 

POLÍTICA
Almir Surui acha que os governos estaduais ou municipais não devem discriminar ninguém, “as políticas públicas deve beneficiar todos, “somos cidadão e eleitor brasileiro e participamos do processo político, elegemos um representante desde que tenha uma proposta que beneficie o estado e o meu povo. Tanto que vários indígenas participarão das eleições municipais, em Cacoal talvez o Paline (PT). Almir, que já foi do PT até 1997, agora está filiado ao PV e em 2002 foi candidato a deputado estadual. Nesta eleição municipal não será candidato, mas considera que a atuação política é importante na luta pelos direitos humanos e indígenas. Segundo Almir é muito importante um povo pequeno como os Suruís participarem no espaço político e dar sua contribuição para o mundo. 

Fonte: Gentedeopinião
Fotos: Serginho

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