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Seminários discutem criação de ovinos no Acre



Produtores de três municípios conheceram o que pode ser mais uma oportunidade de renda.

Informações sobre a viabilidade econômica, sanidade e organização da cadeia produtiva da ovinocultura foram os temas apresentados para cerca de 250 produtores familiares, durante um ciclo de seminários nos municípios de Acrelândia e Capixaba (AC) e Boca do Acre (AM). Pesquisadores e técnicos da Embrapa Acre (Rio Branco) e Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral/CE), técnicos da Tortuga, Frigorífico Annasara, além de representantes do Banco da Amazônia participaram das discussões.

O debate enfocou o que é necessário para incrementar a criação de ovinos como alternativa de renda para pequenos produtores. Os índices técnicos e custos de produção estudados no Ceará foram apresentados no evento, e servirão de base para comparar os custos de produção na realidade do Acre.

O empresário Adalberto José Moretto, diretor presidente do Frigorífico Annasara, e responsável pela articulação dos seminários junto ao Governo do Estado, define os eventos como o pontapé inicial para fortalecer a cadeia produtiva da ovinocultura no Acre, aumentando a qualidade e quantidade do rebanho. O Annasara chegou ao Acre no ano passado e vem investindo no mercado de carnes. “Nossa estimativa de abate para o primeiro semestre de 2010 é de 100 cordeiros/dia”.

“A finalidade é conscientizar o agricultor sobre as vantagens da criação de ovinos e que apostar em parcerias é uma forma de melhorar a atividade”, salienta Moretto, que possui hoje 1200 animais em sua propriedade, mas a comercialização esbarra na falta de organização do setor.

Segundo Espedito Cezário Martins, pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, o Brasil importa carne de caprinos e ovinos principalmente do Uruguai, Austrália e Nova Zelândia e isto reflete um grande potencial de mercado para os produtores do país. O pesquisador destaca a importância de um controle rigoroso das receitas e despesas da propriedade. “O produtor deve ter o hábito de anotar todos os seus gastos, para entender realmente o que ganhou com a venda do rebanho”, afirma.

O veterinário Alexandre Bombardelli de Melo, supervisor da área de ovinos da Tortuga, empresa especializada em alimentação animal com filiais em 17 países, aponta para a necessidade de cuidar da sanidade do rebanho e do emprego de técnicas de manejo que possibilitem melhorar a qualidade dos animais e ampliar o rebanho, de maneira uniforme e saudável. “Com o manejo adequado do pasto, dividido em piquetes de um hectare, e utilização de capins e leguminosas adaptadas ao clima, a produção pode chegar a 100 animais em 10 hectares de pasto”, diz.

Outra informação essencial para o sucesso da ovinocultura está na escolha certa dos animais. Alex Paulino, veterinário do Annasara, trabalha com as raças Dorper e Santa Inês pelas suas características de precocidade e rusticidade. “Fazemos o cruzamento da raça Dorper com Santa Inês, que resultou em cordeiros resistentes e com pouco tempo de pasto para o abate. Estes animais apresentam características adaptadas ao clima do Acre e podem ser abatidos de 120 a 180 dias, com 16 a 18 Kg de carcaça”, afirma.

Segundo Moretto, é importante que os produtores conheçam as técnicas e características da ovinocultura para investir na atividade e completar o elo da cadeia produtiva, onde todos os atores ganham.

O agricultor Marcos Antonio da Silva é um dos entusiastas da atividade e considera a iniciativa uma oportunidade para ampliar o rebanho. “Há algum tempo tenho a ideia de aumentar minha criação. Agora vou estudar as linhas de crédito disponíveis para poder me programar”, finaliza.

Como parte das ações que visam desenvolver a cadeia produtiva da ovinocultura, a Embrapa do Acre e o Governo do Estado vão realizar palestras e cursos de capacitação voltados para técnicos e produtores de diversos municípios. Estes eventos acontecerão ainda este ano e no decorrer de 2010. 

Fonte: Embrapa/Acre

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