Porto Velho (RO) quinta-feira, 20 de setembro de 2018
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Meio Ambiente

REDD não será uma panacéia, mas ajudará a manter as florestas em pé


 

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

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O diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgilio Viana, é um dos grandes defensores brasileiros do mecanismo de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação (REDD) para a conservação das Florestas. Nesta entrevista, concedida a CarbonoBrasil em agosto quando participou de um evento em Florianópolis, SC, Viana explica porque o Brasil deve defender o REDD nas negociações de um novo acordo climático nas Nações Unidas, em dezembro. 


Por que o REDD é bom para o Brasil?

Virgílio Viana - REDD é bom porque conservar a floresta é de interesse nacional. E conservar custa. Portanto, se nós tivermos fontes de financiamento que nos ajudem a custear um modelo de desenvolvimento que valoriza a floresta em pé, isto é de interesse nacional. E o REDD não será uma panacéia, mas será um dos mecanismos.

Os últimos dados de satélites sobre as queimadas na Amazônia mostram que o arco do desmatamento já não existe mais, uma vez que a destruição da floresta está se espalhando por toda a área. Neste caso, como fica a questão do vazamento do carbono em um projeto de REDD, uma vez que ao proteger em um local, você acaba deslocando o desmatamento para outro?

Viana - O que nós notamos é que o que ocorre é um vazamento negativo. Ao invés de provocar o vazamento, ou seja, provocar o desmatamento na vizinhança, ocorre o aumento da governança. Com o aumento da governança, ao invés de vazar para as proximidades de onde é desenvolvido o projeto, a atividade ilegal ao lado é inibida. Isto demonstrado por estudos. A freqüência que atravessam estradas pela área é menor, a presença do poder público é maior. A gente tem um fenômeno ao revés. Este é um ponto. O segundo é que problema de vazamento é muito mais sério no setor de energia. Muitas vezes, as pessoas ficam olhando para o setor de florestas como se fosse uma coisa… e não só ele não é um problema, como no caso de energia é um problema mil vezes maior.

Como assim no setor de energia?

Viana - Se você tem uma troca de combustível, por exemplo, esse combustível que não foi usado aqui, carvão mineral ou óleo, ele vai vazar. Só tem uma maneira que isto não aconteça: se ele for enviado para a lua, sem ticket de retorno. Por que se ele continuar por aqui, alguém vai colocar fogo por um motivo, ou agora ou daqui a um ano ou dois. Por isso, no setor de energia é muito mais grave que no florestal. E com um agravante: no setor de energia você só tem o carbono: frio, cinza e freio. Na floresta você tem borboleta, os passarinhos, a biodiversidade e o impacto sobre o serviço hidrológico e a pobreza - um mecanismo muito mais interessante do ponto de vista do clima e da sustentabilidade do que no setor de energia. Então, vazamento não é uma questão.

A proposta da FAS é que 10% das metas sejam cumpridas com créditos REDD. O senhor acha que o mecanismo será incluído no novo acordo climático?

Viana - Eu acho que tem que entrar, vai entrar. O que se levanta é que ele talvez seja aprovado mas leve alguns anos para explicar, definir seu funcionamento. O mecanismo das Nações Unidas nunca é rápido. O único risco que não corremos na COP 15 (Conferência do Clima de Copenhague) é existir um acordo rápido é definitivo.

E o acordo será ambicioso o suficiente?

Viana - Eu acho que o clima internacional não é favorável para isso porque está todo mundo traumatizado com a crise econômica, mas eu vejo sinais positivos. Os Estados Unidos entraram na história. A China está entrando e o próprio Brasil está entrando.

O Brasil já sinaliza possíveis metas. O senhor acha que é benéfico ter metas para o Brasil?

Viana - Eu diria que existem dois olhares sobre esta questão. Para o planeta é bom ter metas, mas em termos de negociação a gente não deve virar Anexo I (países ricos) porque daí a gente passa a não ter fontes de financiamento.

E teria como ter metas sem passar para o grupo do Anexo I?

Viana - No atual marco não. Existe uma pressão deles (ricos) para passar o Brasil para o Anexo I.

fonte: Envolverde/CarbonoBrasil

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