Porto Velho (RO) quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
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Meio Ambiente

Reciclagem de pneus em presídios transforma a vida de apenados em Rondônia


“Dinheiro que vem fácil, vai fácil. Destruí minha vida e a de outros por causa do crime e com isso perdi 12 anos preso”. O relato é do apenado Samuel José Rodrigues, 40 anos, que cumpre pena no Centro de Socialização Vale do Guaporé.

Samuel é um dos que são beneficiados pelo Projeto 3R (Ressocializar, Reciclar e Reutilizar) desenvolvido nos presídios de Rondônia pela Cooperativa de Trabalho Multidisciplinar de Desenvolvimento da Amazônia (Cootama), em parceria com a Cooperativa Milênio e a Secretaria de Justiça de Estado de Rondônia (Sejus), através da coordenação de projetos de ressocialização dos apenados.

As ações de ressocialização do 3R, que ensina a reciclar pneus e os transformar em peças como poltronas, cadeiras, vasos, lixeiras e puffs, já beneficiaram mais de 200 apenados e são executados nos presídios desde 2010 pela Cootama.

Este ano, o projeto se somou a uma grande ação social que une cooperativas em todo país: o Dia de Cooperar (DIA C), que tem como proposta transformar atividades solidárias isoladas, realizadas por centenas de cooperativas brasileiras, em um único e robusto movimento cooperativista, com ênfase no desenvolvimento social comunitário.

É graças a atividades solidárias como as que são propostas pelo Dia C e realizadas ano após ano por inúmeras cooperativas país afora, que pessoas como Samuel têm a oportunidade de reverter um quadro social desfavorável.

Preso pela segunda vez, a primeira por tráfico de drogas e a última por homicídio, o apenado vê no projeto mais que uma remissão de pena, mas uma remissão de vida. “Tenho 40 anos já, sou avô de dois netos, está na hora de mudar minha história”, diz o apenado que já participou de tantos projetos ao longo do tempo que permaneceu preso, que conseguiu reduzir a pena e deve ser beneficiado pela progressão de regime no início do próximo ano.

Bento Mota, 32 anos, também preso por homicídio, cursava o 6º semestre de Direito quando foi preso. Foi condenado a 13 anos. Há quatro meses ele cumpre pena no Centro de Ressocialização Vale do Guaporé. Viu no Projeto 3R, a saída para não ficar ocioso e sair mais rápido da cadeia. “A cada 12 horas de trabalho temos remissão de um dia da pena atribuída. Pode parecer pouco, mas um dia a menos aqui dentro representa muito para quem está privado da liberdade”, destaca.

Histórias como a de Samuel e Bento é que motivam a presidente da Cootama, Dulce Braga Menezes, a continuar com as atividades de ressocialização.

“Começamos com uma caixa de parafusos. Hoje geramos renda com o que é produzido atrás dos muros da prisão”, comemora Dulce.

Rosivaldo Soares, coordenador do projeto de ressocialização dos apenados do Centro de Socialização Vale do Guaporé, reconhece que “Dona Dulce é um dos braços mais importantes da integração dos apenados”. Soares também enfatiza que presos que participam do 3R não trazem problemas para a unidade porque “não tempo para projetar ideias ruins”.

Para Salatiel Rodrigues, presidente do Sistema OCB/Sescoop-RO,  “Um dos valores de uma cooperativa é, justamente, promover a inserção social. Lutamos por isto. O resultado deste empenho da Cootama se reflete no êxito de projetos como o 3 R que constrói um novo horizonte para quem não tinha perspectiva nenhuma de qualificação e oportunidade de trabalho”.

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O “Dia C” – De Norte a Sul do Brasil, as cooperativas já realizam diversas atividades voluntárias e no dia 6 de setembro uma grande comemoração vai unir todas elas. A projeção é beneficiar 1,4 milhão de pessoas de 1.060 municípios e reunir cerca de 200 mil voluntários em todo o país.

Cooperativas interessadas em participar desse grande movimento nacional podem buscar informações no blog, (diac.brasilcooperativo.coop.br) e com a unidade do Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) em seu estado.

Fonte: Ascom
 

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