Porto Velho (RO) sexta-feira, 21 de setembro de 2018
×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Projetos criados por Dorothy Stang provam que sustentabilidade é possível


 

Ivan Richard
AGência Brasil


Anapu (PA) - Os Projetos de Desenvolvimento Sustentáveis (PDS), idealizados por Dorothy Stang, são exemplo de que é possível obter renda da floresta amazônica preservando a mata. A afirmação é da também missionária americana Jane Dnyer, que está em Anapu (PA) há 12 anos e mantém o trabalho na região desde o assassinato de irmã Dorothy, em 2005.

Para irmã Jane, se os governos local, estadual e federal investirem em programas semelhantes aos PDS seria possível alimentar a população, preservar o meio ambiente e oferecer uma fonte de renda aos agricultores de Anapu.

"Para preservar a mata a agricultura familiar precisa de máquina. O povo quer cumprir o fogo zero, mas sem equipamento não há condição de fazer isso".

Ela afirma que, sem fiscalização, até mesmo os projetos de manejo não são respeitados na região.

"Tudo aqui é ilegal. Se os madeireiros atuam legalmente, porque eles esperam até a noite para vir até a cidade. A gente vive nessas estradas e encontramos os caminhões esperando a noite chegar. Já criaram caminhos alternativos para não passar pela cidade. E a mata continua caindo".

Nos PDS, argumenta a religiosa, os agricultores são orientados a utilizar a floresta de forma sustentável. Nessas áreas é possível, inclusive, explorar economicamente a extração de madeira, como explica a missionária.


"O único local onde há verdadeiramente um programa de manejo é no PDS Virola Jaobá, que é um manejo comunitário", afirmou a religiosa, explicando que no local cada árvore retirada recebe uma placa de identificação de metal.

Com essa marca, acrescentou irmã Jane, a tora de madeira pode ser identificada e pode-se encontrar o tronco na floresta. "O que sai tem placa e o que fica tem placa. O móvel que for feito daquela madeira vai receber a mesma marca de identificação", exemplificou.

O problema, para ela, é a ilegalidade. "Nosso povo, em vários travessões, está com medo do fundo dos seus lotes, porque as madeireiras entram e os agricultores nem sabem. O problema é a ilegalidade e a responsabilidade", disse.

A pequena casa de madeira onde mora em Anapu está sempre de portas abertas. A única medida de segurança é um pedaço de arame que prende o velho portão de madeira. Perguntada se tem medo de que lhe façam mal, irmã Jane diz que o perigo que corre é o mesmo de todos no município.

"A gente vive em Anapu e tem um relacionamento com o povo daqui. O que o povo de Anapu é sujeito, nós também somos. Então, se há problema de segurança o povo também está passando por ele e não saímos enquanto não houver segurança", diz.

Ela conta que, mesmo depois do assassinato de Dorothy, continua indo em todos os locais no município. "Alguns até chamam a gente de Dorothy", brinca.

"Sozinho não ando mais. Antes andava, mas vamos a todas as estradas do município. Hoje acho difícil alguém pegar uma bala e matar a gente. Já criou problema demais para eles. Se quiserem acabar com a gente, deve ser por um 'acidente'. Todos nós sabemos [dos riscos] e fazemos o possível para evitar, mas ninguém pode evitar tudo". Irmã Jane disse que nunca pensou em deixar Anapu.

 

Mais Sobre Meio Ambiente

SP corre risco de enfrentar crise hídrica mais grave que a de 2014

SP corre risco de enfrentar crise hídrica mais grave que a de 2014

O Sistema Cantareira, que abastece parte da capital paulista e da Região Metropolitana, estava com quase 60% da capacidade um ano antes da crise de 20

Novo marco legal do saneamento gera polêmica no setor

Novo marco legal do saneamento gera polêmica no setor

Agentes reguladores estão avaliando a medida provisória

Parque Ecológico Municipal recebe plantio de Ipê e Flamboyant

Parque Ecológico Municipal recebe plantio de Ipê e Flamboyant

Um grupo de 30 crianças da Fundação JiCred plantou mudas de ipê e flamboyant no Parque Ecológico Municipal. A ação foi realizada pelo Sistema Cooperat