Sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 - 11h45

Um canto incomum ouvido na Serra do Divisor, no
estado do Acre, na fronteira com o Peru, levou o biólogo e ilustrador Fernando
Igor de Godoy, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos
Naturais (PPGERN) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), à descoberta
de uma nova espécie de ave. É a sururina-da-serra.
Durante um trabalho de campo em 2021, Godoy
gravou uma vocalização longa, aguda e metálica que não correspondia a nenhuma
espécie conhecida. O registro deu início a uma investigação que culminou na
descrição científica da sururina-da-serra (Tinamus
resonans), nova integrante da família dos inhambus, com plumagem,
comportamento e canto únicos.
A confirmação visual só veio três anos depois,
em 2024, quando o biólogo Luis Morais conseguiu fotografar o animal. A partir
daí, uma expedição coletou os dados necessários para a descrição científica
publicada recentemente na revista Zootaxa.
O artigo, com acesso livre, pode ser consultado em https://mapress.com/zt/article/view/zootaxa.5725.2.6.
Características
A sururina-da-serra tem porte médio, pesando
cerca de 340 gramas. Tem plumagem alaranjada na parte inferior, marrom na
superior e uma máscara marcante na cabeça. Vive no chão da floresta, como
outros tinamídeos, mas seu comportamento ainda é pouco conhecido, descreve o
pesquisador. "A ave é terrícola, voa só quando necessário poucas alturas
no chão da mata, mas geralmente só caminha".
A espécie ocorre apenas em uma estreita faixa
montanhosa do Parque Nacional da Serra do Divisor, entre 310 e 435 metros de
altitude, o que a torna especialmente vulnerável a mudanças ambientais e
projetos de infraestrutura. "Estima-se que existam cerca de 2.100
indivíduos, todos restritos à região. A descoberta, realizada com apoio de
comunidades locais e confirmada por pesquisadores após registros fotográficos e
em vídeo, destaca a importância da pesquisa científica e do conhecimento de
campo para revelar a biodiversidade ainda desconhecida da Amazônia",
destaca Godoy.
Segundo o pesquisador da UFSCar, a ave não se
parecia com nenhuma outra espécie conhecida da família Tinamidae, e sua
vocalização também era única, fortalecendo a certeza de que se tratava de uma
descoberta rara. "Os tinamídeos são bastante característicos, pois
apresentam as asas reduzidas, um corpo arredondado e são terrícolas. O grande
diferencial dessa espécie é a plumagem, a cabeça com cores contrastantes
alaranjadas de ardósia, que não se parece com nenhuma outra espécie da família".
Pesquisador e ilustrador
Godoy ingressou no doutorado do PPGERN/UFSCar
em outubro do ano passado sob orientação do professor Augusto João Piratelli,
do Departamento de Ciências Ambientais (DCA-So) do Campus Sorocaba da UFSCar. A
descoberta não tem relação com sua pesquisa no Programa. "Eu fiz a
descoberta antes de entrar no doutorado, após a conclusão do Mestrado, também
no Programa, e estava em uma viagem pelo Serviço Florestal Americano e pelo
ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade]".
Ele também é ilustrador científico, com foco na
fauna. "Eu gosto de ilustrar cenas que já observei na natureza. Nunca
copio, mas por questão de fidelidade de proporções e cores, eu sempre consulto
diversas fotos", detalha Godoy, que costuma ilustrar à mão com tinta
guache. "Minhas ilustrações têm caráter científico e muitas pessoas me
procuram para incluí-las em artigos científicos, materiais de divulgação,
apresentações. Eu também tento utilizá-las bastante na educação
ambiental". Confira a ilustração da sururina-da-serra feita por
ele. O portfólio completo está em www.ornitologiaearte.com.
Etapas da investigação
"Eu já trabalhei como ornitólogo em
diversos locais da Amazônia e ao ilustrar as aves da Serra do Divisor me
convidaram para ir lá conversar com a comunidade. Então já no primeiro dia ouvi
o canto e vi que se tratava de uma espécie totalmente diferente. Eu gravei e
mandei para vários pesquisadores, mas muitos achavam que era apenas uma
variação, ou até um híbrido. Poucos me deram atenção, como é o caso do meu
colega Ricardo, que foi lá e fez novas gravações", relembra Fernando.
"Em 2024 o Luis Morais, que faz doutorado na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, foi lá e conseguiu ver a ave e concluir que de fato era uma espécie
nova, pois a fotografou. Então, ele promoveu uma expedição no ano passado para
ir lá coletar e descrever a nova espécie".
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