Porto Velho (RO) segunda-feira, 26 de outubro de 2020
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Meio Ambiente

Projeto sobre terra-preta de índio promove intercâmbio


Aprovado o projeto de parceria envolvendo instituições de pesquisa do Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia e a Holanda – por meio da Universidade de Wageningen -, para o estudo da terra-preta de índio. O projeto “Terra-Preta de Índio: descobrindo o passado e olhando para o futuro'' vai possibilitar o intercâmbio de profissionais com bolsas de doutorado e pós-doutorado nas áreas de agronomia, sociologia, antropologia e arqueologia.

A Embrapa Amazônia Ocidental e a Embrapa Solos (RJ) são as representantes brasileiras. O pesquisador Wenceslau Teixeira, especialista em manejo do solo da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM), explica que o projeto vai possibilitar a troca de informações entre os países sul-americanos, permitindo que os bolsistas de diferentes áreas tenham acesso à uma das melhores e mais tradicionais universidade de agronomia do mundo.

A Universidade de Wageningen está presente em todos os continentes e instalou-se no Brasil em 2006. O gabinete situa-se na Universidade de São Paulo, em Piracicaba (SP) e serve como base de apoio para reforçar parcerias de pesquisa.

Modelo

A terra-preta é considerada um modelo a ser copiado no manejo dos solos tropicais. O manejo que as populações pré-colombianas fizeram tornaram os solos férteis e com elevados estoques de carbono. No momento, o projeto busca entender como foi formado o solo de terra-preta e busca a reprodução do modelo visando  a formação de novas áreas com as mesmas características.

Para pesquisadores da Embrapa, as terras pretas são provavelmente oriundas da decomposição de animais e outros materiais orgânicos que existiram na região há centenas de anos. Ao ser carbonizado, esse material teria se unido e formado sítios de elevados teores de nutrientes, protegendo o solo da lixiviação, tão comum na região.

Wenceslau Teixeira afirma ainda não existir estudo definido que determine a origem da terra preta, mas já se sabe que são solos de elevado teor de fertilidade, e que a sua existência decorre da participação direta das populações indígenas amazônicas.  Possui grande concentração de fósforo, cálcio e outros nutrientes, que são encontrados tanto em espinhas de peixe quanto em cascos de tartaruga e ossos de outros animais.

Na tentativa de reproduzir algumas das características das terras pretas, a Embrapa vem conduzindo experimentos na área rural de Manaus e Presidente Figueiredo (distante 107 km da capital amazonense), utilizando carvão vegetal como condicionante do solo para reter água e nutrientes. As culturas testadas na pesquisa (banana e guaraná) estão apresentando excelente desenvolvimento.

O projeto “Terra-Preta de Índio: descobrindo o passado e olhando para o futuro” reúne as principais instituições de pesquisa da Região Norte: Embrapa, Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade Federal do Pará e também da região Sudeste: Museu de Arqueologia – MAE/USP e Embrapa Solos (RJ).

Fonte: EMBRAPA - Maria José Tupinambá(MTb 114/AM)

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