Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Lavoura de abacaxi sem irrigação poderá ser financiada em Rondônia



Um trabalho conjunto da Embrapa Rondônia com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) indicou que é possível cultivar abacaxi sem irrigação no Estado de Rondônia. A constatação técnica foi incorporada pelo Zoneamento Agrícola para a cultura de abacaxi no Estado de Rondônia, ano-safra 2009/2010, documento publicado este mês pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Com isso, os agricultores poderão fazer projetos de financiamento para a safra atual sem a necessidade de investir em infra-estrutura de irrigação para o cultivo de abacaxi.

O zoneamento agrícola tem por objetivo quantificar o risco de perda das lavouras devido à ocorrência de eventos climáticos adversos, principalmente a seca. Divulgado pelo MAPA, o estudo é elaborado com a participação de instituições federais e estaduais de pesquisa agrícola, fundações e universidades. Bancos e agentes financiadores utilizam o documento como parâmetro para a aprovação de projetos de financiamento de safras. O zoneamento foi publicado no Diário Oficial da União número 180, de 21 de setembro de 2009.

A intervenção da Embrapa Rondônia e da Sedam foi no sentido de mostrar que, por conta das características da planta e do clima, é possível produzir abacaxi em condição de sequeiro em Rondônia. A versão preliminar do zoneamento agrícola indicava que a única maneira de cultivo seria com apoio de tecnologias de irrigação suplementar, por conta estiagem anual.

Em Nota Técnica divulgada no último dia 15, os pesquisadores da Embrapa Rondônia argumentam que o abacaxi (Ananas comosus L. Merril) é uma bromélia que possui características favoráveis ao clima de Rondônia. "A planta realiza absorção de CO2 no período noturno e mantém os estômatos fechados no período diurno. Com isso, evita a perda de água e sobrevive em períodos secos", explica o engenheiro agrônomo José Roberto Vieira Junior, da Embrapa Rondônia. "Além disso, a arquitetura das folhas favorece a captação de água, inclusive do orvalho", completa o pesquisador.

As características da planta, no entanto, não são suficientes para garantir o sucesso do cultivo. É preciso plantar o abacaxi no período correto, para que as mudas tenham disponibilidade de água para se estabelecer e possam suportar a estiagem, que no Estado de Rondônia dura cerca de três meses. Com isso, a planta deverá florescer ao final do período seco ou já no começo das chuvas. Os meses recomendados para cultivo no Estado são novembro, dezembro e janeiro. 


Irrigação 

Os pesquisadores mostram que, antes de pensar em irrigação, um recurso de alto custo, é importante investir em tecnologias básicas para o cultivo do abacaxi em Rondônia. "A correção e fertilização do solo, o uso de mudas certificadas, o controle de pragas e doenças e a assistência técnica qualificada já trariam melhoras significativas na produtividade e na qualidade dos frutos", afirma André Rostand, pesquisador da Embrapa Rondônia.

Marcelo Gama, da Sedam, mostra que praticamente não existem lavouras de abacaxi irrigado em Rondônia. "Se fossem liberados financiamentos apenas para cultivo de abacaxi irrigado, iríamos inviabilizar economicamente a cultura do abacaxi em pequenas propriedades no Estado", afirma.

Em 2007, a Embrapa Rondônia, uma das 42 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao MAPA, publicou o "Sistema de produção para a cultura do abacaxi no Estado de Rondônia", que traz um conjunto de orientações técnicas para cultivo com e sem irrigação. O documento mostra que as altas temperaturas constantes durante todo o ano em Rondônia favorecem a cultura. Com o uso de irrigação, o abacaxi pode ser plantado em qualquer época do ano. O sistema de produção está disponível gratuitamente em formato PDF aqui no portal da Embrapa Rondônia.

Fonte: Embrapa Rondônia

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 12 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Estudante da UFSCar descobre nova espécie de ave na Amazônia

Estudante da UFSCar descobre nova espécie de ave na Amazônia

Um canto incomum ouvido na Serra do Divisor, no estado do Acre, na fronteira com o Peru, levou o biólogo e ilustrador Fernando Igor de Godoy, doutor

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

A Ecoporé, instituição com 37 anos de história em Rondônia, e o Bloco Pirarucu do Madeira uniram forças em uma ação que redefine a relação entre as

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

Pesquisadores de Porto Velho-RO apresentam solução inovadora para reaproveitar água de ar-condicionado em prédios públicos, promovendo sustentabilid

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Projeto ambiental do governo de RO resulta na soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia no Parque Estadual Corumbiara

Com o objetivo de fortalecer a preservação das espécies nativas da região amazônica e garantir a biodiversidade, 228 mil filhotes de tartarugas-da A

Gente de Opinião Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)