Segunda-feira, 22 de dezembro de 2025 - 08h55

A Ecoporé, instituição com 37
anos de história em Rondônia, e o Bloco Pirarucu do Madeira uniram forças em
uma ação que redefine a relação entre as festividades populares e a preservação
ambiental. O plantio de aproximadamente 2 mil mudas no Instituto Federal de
Rondônia (IFRO), Campus Calama, marca uma campanha inédita para transformar a
folia de Porto Velho em um evento sustentável. O objetivo central é a futura
neutralização do carbono emitido pelo bloco durante o Carnaval de 2025, à
medida que as árvores atingirem a maturidade.
A diretora executiva da Ecoporé,
Sheila Noele, destaca a amplitude dos impactos desta mobilização. Para ela, o
plantio exerce um papel vital na ampliação da área verde urbana e na oferta de
abrigo para a fauna.
"Este plantio foi importante em vários
aspectos. Do ponto de vista ambiental, ele irá contribuir para a regulação do
clima, a captura de carbono, a beleza cênica e a produção de água. Do ponto de
vista social, houve o envolvimento da comunidade com a participação de foliões
e estudantes. Esta atividade proporcionou a experiência de plantar e cultivar o
senso de pertencimento e coletividade; foi uma ação sobretudo educativa”,
afirma a diretora.
Essa visão de integração é reforçada por Mayara Velasco, assessora de
comunicação da instituição. "A Ecoporé nasceu com o propósito de integrar
pessoas em ações de preservação e conservação, e iniciativas como o plantio no
IFRO mostram a força desse compromisso. Ao envolver crianças, jovens e toda a
comunidade, fortalecemos a consciência ambiental e ajudamos a construir uma
sociedade mais conectada com a natureza e com o futuro que queremos", explica
Mayara.
Educação e memória coletiva
A ação contou com a participação fundamental dos alunos da Escola Pé de Murici,
que levaram o aprendizado da sala de aula para a prática no campo. Juan
Rodrigues, gerente de comunicação da Ecoporé, analisa o impacto humano da
iniciativa.
"Temos a certeza de que a semente que plantamos hoje vai muito além da
terra. No imaginário e na memória de cada criança e jovem que esteve conosco, o
aprendizado será absolutamente inesquecível e profundamente transformador. Marcamos
positivamente a vida das pessoas e construímos uma lembrança duradoura de união
e cuidado com o nosso planeta", pontua Juan.
A força da mobilização alcançou também os estudantes de ensino médio do IFRO e
os foliões que trocaram o descanso pelo voluntariado. No dia da ação,
esses voluntários "viraram árvore" ao estabelecer um vínculo profundo
com o solo e com o futuro da cidade por meio das diversas mudas plantadas na
área.
A área em torno do Ifro Campus Calama é um ecossistema vivo que abriga uma
nascente com peixes e serve de passagem para capivaras. Por isso, a escolha das
espécies foi estratégica para garantir a recomposição da flora e a melhoria do
solo. Jose La Torre, gerente de restauração, detalha a composição biológica do
projeto. "As mudas foram produzidas no viveiro da Ecoporé e contemplaram
espécies adaptadas a diferentes condições ambientais. Espécies como açaí,
buriti e camu-camu, indicadas para áreas mais úmidas e próximas a nascentes,
desempenham um papel importante na proteção dos recursos hídricos e na oferta
de alimento para a fauna. Já espécies de maior porte e adaptadas a solos mais
secos, como jatobá, jequitibá, cumaru e ipês, contribuem para a formação da
estrutura florestal a longo prazo", esclarece o especialista.
Folia consciente
A parceria com o setor cultural traz a urgência de uma festa que dialogue com a
preservação. Luciana Oliveira, vice-presidente do Bloco Pirarucu do Madeira,
enfatiza a necessidade de inaugurar essa tendência de um Carnaval mais
consciente. "É uma alegria fazer parte deste momento emocionante com
alunos e estudantes. Principalmente as crianças da Escola Pé de
Murici, esse nome tão significativo, eles plantam aqui ao lado de uma nascente,
e isso vai fortalecer a nossa região. É urgente inaugurar essa tendência de
carnaval que faça uma folia mais sustentável", declara Luciana.
A semente da transformação também floresce na mente dos pequenos cidadãos. Uma
estudante da Escola Pé de Murici resumiu o sentimento de esperança que moveu
toda a equipe da Ecoporé e do Bloco: "No futuro, eu acho que vou estudar e
vou estar debaixo de uma árvore que eu plantei. É muito bom plantar, mesmo que
a unha fique preta, né?" afirma a estudante.
A ação no IFRO se encerra com a certeza de que a restauração ambiental é um
processo coletivo e contínuo, onde a alegria da festa e o cuidado com a terra
se tornam uma única força.
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