Porto Velho (RO) quarta-feira, 19 de setembro de 2018
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Meio Ambiente

Índios do Acre investigam invasão de peruanos para extrair madeira nobre do Brasil



Golby Pullig
Especial para o UOL Notícias
Em Rio Branco


Madeireiros peruanos são suspeitos de invadir terras brasileiras para retirar ilegalmente mogno e cedro do país. A invasão estaria sendo feita na aldeia indígena de Kampa, na região do município de Marechal Thaumaturgo (AC), próxima à fronteira com o Peru.

Um grupo de 15 índios saiu em missão de monitoramento para investigar a invasão nesta terça-feira (30) e deve retornar à aldeia na quinta-feira (1º). A denúncia foi feita pela Associação Ashaninka do Rio Amônia e tem como base informações recebidas por índios da etnia Asheninka, que vivem no lado peruano da fronteira e dizem ter visto a movimentação de retirada da madeira.

Uma primeira sondagem, feita por um grupo menor de índios no início da semana, encontrou árvores com identificação de retirada. “Eles usam guinchos motorizados e arrastam árvores inteiras pelos caminhos que abrem na floresta. Do lado de lá só tem madeira branca. Agora eles querem as das nossas terras”, afirma o professor indígena e diretor da Associação Apiwtxa, Isaac Piyanko. Ele se reuniu na tarde desta quarta-feira (31) com o gerente regional do Ibama, órgão responsável pela fiscalização e monitoramento da região desde 2001 –quando grupos de madeireiros peruanos e narcotraficantes invadiram a região e retiraram em torno de 10 mil metros cúbicos de madeira nobre.

Uma ação conjunta entre Ibama, Exército e Polícia Federal, deflagrada em 2003 a partir de denúncias das comunidades indígenas, conseguiu prender mais de 70 pessoas. As operações realizadas quinzenalmente até o início de 2010 foram reduzidas para apenas dois sobrevoos de monitoramento por ano que cobrem, além da terra indígena, o Parque Nacional da Serra do Divisor.

O superintendente do Ibama no Acre, Diogo Selhorst, informou que as áreas de exploração legal de madeira no Peru estão situadas na fronteira ao longo dessas duas reservas florestais. “Eles aproveitam a logística e a infraestrutura dessas estradas abertas para exploração nas áreas de concessão legais para retirar madeira em território brasileiro, mas precisamos comprovar se isso está novamente ocorrendo”, disse Selhorst, que há duas semanas solicitou à sede em Brasília a antecipação de agendamento de sobrevoo do mês de novembro para a segunda quinzena de setembro.

Na terra indígena do rio Amônia vivem cerca de 110 famílias Ashaninka, Nukini e Jaminawa Arara. A área corresponde a 87 mil hectares de florestas, onde se encontram espécies florestais nativas de grande valor comercial, entre elas o mogno e o cedro. Para chegar à aldeia Ashaninka é preciso percorrer seis horas de barco a partir de Marechal Thaumaturgo subindo o rio Amônia. A comunidade fica a uma distância de aproximadamente de 13 km da fronteira com o Peru.

 

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