Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Estiagem isola comunidades no rio Purus



NÁFERSON CRUZ
Equipe do EM TEMPO
Enviado ao Sul do Amazonas
diadia@emtempo.com.br


A seca deste ano começa a afetar o abastecimento e o escoamento da produção dos ribeirinhos da região, que estão praticamente isolados. É o que está ocorrendo agora em 11 comunidades do município de Itamarati, no Sul do AmaAzonas, a 1.130 quilômetros de Manaus. Hoje, os ribeirinhos já gastam o dobro do tempo da viagem para chegar até o porto das cidades mais afetadas. A demora na viagem se deve à estiagem que atinge o rio Purus, cujo leito está 15 metros abaixo da média. As pedras e bancos de areia que se formam no leito do subafluente do rio Amazonas já ameaçam encalhar as embarcações dos produtores.

De acordo com o líder da comunidade Nova Morada, Antônio Amanso Limas, 43, a chegada da estiagem dificulta a vida dos produtores rurais. Além dos obstáculos provocados pela distância, os ribeirinhos acabam enfrentando outros problemas, como o barateamento das mercadorias. “A oferta nessa época é maior que a procura e a gente acaba sendo obrigado a vender mais barato”, disse.

O ribeirinho Raimundo Cruz, 36, acredita que a seca dos rios amazônicos, cada ano maior, é provocada pelos desmates, queimadas e poluição, causada pela população da região. “O rio está desaparecendo. Dói na gente vê tanta poluição na água e nas margens. Se não houver mais cuidado com o rio vai chegar o tempo em que a gente não vai ter mais nem esse ‘fiozinho’ de água que está aparece agora”, garante o morador da comunidade.

Outras dez comunidades, além da Nova Morada, estão parcialmente isoladas. É o caso das comunidades de São José, Xeruan, Canamã e Quiriru 1, 2 e 3, somadas a mais quatro aldeias indígenas.

 

Duas mil pessoas afetadas

De acordo com a prefeitura de Itamarati, aproximadamente duas mil pessoas já estão sendo afetadas pela seca. “Quando o nível do rio baixa muito, as comunidades ribeirinhas são as que mais sofrem com as dificuldades de acesso”, disse o prefeito João Campelo, que é presidente da Associação dos Municípios.

Segundo ele, na comunidade de Queriru 3, cerca de cinco toneladas de farinhas estão ‘presas’, deste a última semana por não ter como ser levada até a sede do município. "A seca no rio Juruá está elevada, principalmente neste mês de setembro em que as chuvas cessam e as queimadas estão constantes. A cidade de Itamarati está a apenas 60 centímetros da seca registrada em 2005", completou Campelo.

Durante a viagem de uma hora e meia até a comunidade Nova Morada, a equipe do EM TEMPO, registrou em um cenário desolador afetado provocado pela estiagem: diversos pontos com aglomeração de urubus se alimentando de peixes mortos. Em um desses pontos, aves devoravam uma grande arraia já em decomposição.

 

Distribuição de energia prejudicada

A estiagem que atinge os municípios do Sul do Amazonas há cerca de mês e meio, começa a afetar de alguma forma — pela falta de combustível — o sistema de distribuição de energia elétrica de Itamarati.

De acordo com o prefeito, João Campelo, quatro balsas da Petrobras que fazia o transporte de combustível para os municípios de Envira (a 1.208 quilômetros) e Ipixuna (a 1.367 quilômetros), encalharam a quatro horas da chegada em Itamarati. “O combustível para o gerador de energia e para os veículos na cidade está sendo transportado por canoas, o único meio de transporte alternativo que ainda consegue navegar pelo leito dos rios. Senão, estaríamos às escuras”, disse Campelo.

O gerente do posto flutuante de combustível, Carlos Augusto Martins, contou que no último mês (agosto), a balsa levou 28 dias para chagar na cidade, numa viagem que deveria ser feita em dez dias. Com o atraso, a cidade ficou perto de 20 dias sem combustível, o que resultou na venda de combustível ao preço de R$ 5 o litro.


Alerta foi feito há 15 dias

Há 15 dias, o subcomando de Ações de Defesa Civil (Subcomadec) emitiu alerta sobre a estiagem nas calhas dos rios do Amazonas. De acordo com o Centro de Monitoramento Ambiental da Defesa Civil do Estado, 27 municípios do interior podem ser atingidos.

No alerta, o Subcomadec solicitou um levantamento da quantidade de famílias e comunidades atingidas pela vazante. Segundo o Subcomadec, entre as ções programadas em caso de Situação de Emergência, está o envolvimento de órgãos estaduais, federais e instituições parceiras, que serão chamados a dar apoio aos moradores das localidades afetadas.

 

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Ecobags para coleta de garrafas PET são doadas pela prefeitura de Porto Velho

Ecobags para coleta de garrafas PET são doadas pela prefeitura de Porto Velho

Aquela garrafa PET vazia, que muitas vezes acaba esquecida em casa, pode ganhar um novo destino.A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Mu

Crea-RO e WR Ambiental apresentam projeto sustentável de coleta de recicláveis ao prefeito de Porto Velho

Crea-RO e WR Ambiental apresentam projeto sustentável de coleta de recicláveis ao prefeito de Porto Velho

O Crea-RO e a WR Ambiental apresentaram ao prefeito de Porto Velho um projeto sustentável voltado à coleta de resíduos recicláveis durante eventos d

Cultura, tecnologia e saber popular em ação de plantio e muvuca da Ecoporé no Nova Conquista

Cultura, tecnologia e saber popular em ação de plantio e muvuca da Ecoporé no Nova Conquista

O Carnaval de Porto Velho será lembrado não apenas pelo ritmo nas ruas, mas pelas raízes que agora crescem no solo do Assentamento Nova Conquista. A

Justiça obriga Funai e Santo Antônio Energia a compensar danos ambientais a povos indígenas em Rondônia

Justiça obriga Funai e Santo Antônio Energia a compensar danos ambientais a povos indígenas em Rondônia

O Ministério Público Federal (MPF) obteve sentença da Justiça Federal em Rondônia que condenou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a

Gente de Opinião Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)