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Meio Ambiente

Derretimento dos mantos de gelo acelera níveis oceânicos


 

Por Jéssica Lipinski, da Carbono Brasil

O derretimento dos mantos glaciais pode estar ocorrendo mais cedo e mais rápido do que se esperara, aponta um estudo desenvolvido pela NASA. De acordo com a pesquisa, o degelo dos mantos glaciais (regiões cobertas de gelo com área superior a 50 mil km2, que atualmente só ocorrem na Antártida e na Groenlândia) tem sido maior do que o de geleiras alpinas (áreas de gelo encontradas em regiõesDerretimento dos mantos de gelo acelera níveis oceânicos - Gente de Opinião altas e montanhas) e que o de calotas polares (regiões de gelo com superfície inferior a 50 mil km2). Isso significa que o aumento no nível dos oceanos pode ocorrer muito mais rapidamente do que previam modelos anteriores.

O estudo, realizado entre 1992 e 2009, revelou que quantidades enormes de gelo derretido estão vertendo para os oceanos. O diagnóstico mostrou níveis recordes de perda de massa de gelo a partir de 1992. Segundo a pesquisa, os mantos de gelo perderam cerca de 475 bilhões de toneladas por ano, enquanto a média da perda de geleiras e calotas foi de 402 bilhões de toneladas anuais. Só a perda ocorrida nos mantos é suficiente para aumentar em 1,3 milímetros por ano o nível do mar.

Além disso, a pesquisa indicou que a cada ano, a perda da massa de gelo ocorrida nos mantos acontece em uma velocidade maior. Na Antártica, o acréscimo na quantidade de gelo perdida por ano é de 14,5 bilhões de toneladas por ano, enquanto na Groenlândia esse aumento é de 21,9 bilhões de toneladas. No total, a perda dos mantos aumenta em 36,3 bilhões de toneladas em relação ao ano anterior.

Eric Rignot, do Laboratório de Motores a Reação da NASA em Pasadena e da Universidade da Califórnia em Irvine, afirmou: “que os mantos de gelo dominarão o futuro do aumento dos níveis do mar não é surpreendente – eles possuem muito mais massa de gelo que as geleiras alpinas. O que é surpreendente é que o aumento dessa contribuição pelos mantos de gelo já esteja acontecendo”.

“Se essa tendência continuar, é provável que o nível do mar fique significativamente mais alto do que os níveis projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU em 2007. Nosso estudo ajuda a reduzir as incertezas nas projeções em curto prazo sobre o aumento do nível do mar”, acrescentou Rignot.

A pesquisa realizada comparou duas técnicas de medição independentes. A primeira observa e compara dois tipos de dados: sons de eco, que medem a saída de gelo dos mantos, e o clima atmosférico regional, que quantifica o gelo que é adicionado aos mantos. A outra técnica utiliza oito anos de dados coletados pelos satélites da NASA, que rastreiam as mudanças ocorridas a cada minuto no campo gravitacional da Terra devido à distribuição de massa, incluindo o movimento do gelo. Ambas chegaram a resultados semelhantes sobre o derretimento dos mantos glaciais.

Isabella Velicogna, do Laboratório de Motores a Reação da NASA, disse que “as duas técnicas são totalmente independentes, então é uma grande conquista que os resultados sejam parecidos. Isso demonstra um tremendo progresso que tem sido feito em estimar quanto de gelo os mantos glaciais estão ganhando e perdendo e em analisar a variação dos dados gravitacionais”.

Os autores da pesquisa concluíram que, se as taxas de degelo dos mantos glaciais continuarem assim pelas próximas quatro décadas, a perda cumulativa pode elevar o nível do mar em 15 centímetros até 2050. Além disso, deve considerar-se ainda uma contribuição de oito centímetros pelo derretimento de geleiras e calotas, e de nove centímetros pela expansão térmica dos oceanos, totalizando um aumento que poderia alcançar 32 centímetros.

A NASA declarou que “enquanto o estudo indica a potencial contribuição que os mantos de gelo podem ter o nível do mar no próximo século, os autores têm o cuidado de considerar que ainda há incertezas em estimar a futura aceleração na perda de gelo”. A pesquisa, da qual também participaram o Instituto para Pesquisa Marinha e Atmosférica, a Universidade Utrecht da Holanda e o Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica de Boulder, Colorado, será publicada no jornal Geophysical Research Letters.

(Envolverde/Carbono Brasil)

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