Terça-feira, 16 de junho de 2009 - 17h45
Amanda Mota
Agência Brasil
Manaus - Depois de subir 18 centímetros nos últimos quatro dias, o nível do Rio Negro, em Manaus, atingiu hoje (16) a marca dos 29,5 metros. É a terceira maior cota já registrada desde 1902, perdendo apenas para as marcas de 1953 (29,69 metros) e 1976 (29,61 metros).
Segundo o supervisor de Hidrologia do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Daniel Oliveira, com base nas médias históricas, o volume pluviométrico esperado para o mês de junho na capital amazonense era de 115,1 milímetros. Contudo, a primeira quinzena deste mês já contabiliza 145,3 milímetros de chuva.
É muita água para o fim da cheia. O acompanhamento do CPRM mostra que a maioria das cheias termina em junho, mas a deste ano ainda não dá para saber. Isso vai depender do que a climatologia vai reservar para a região na última quinzena do mês, afirmou.
Em entrevista à Agência Brasil, Oliveira explicou que, desde o início dos trabalhos de medição e acompanhamento do nível dos rios no Amazonas pelo o CPRM, 76% das cheias no estado tiveram fim no mês de junho e apenas 18% em julho. Com a permanência das chuvas e, também, do nível alto das águas do Rio Solimões, o Negro ainda continua a subir.
O Rio Negro está represado pelo Rio Solimões. Além disso, como as chuvas continuam, o Negro permanece com nível alto. Como não há vazão dessa água, fica mantida a elevação do nível do rio, informou.
As informações do Departamento de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), confirmam que as chuvas de junho, em Manaus, estão acima do normal. A meteorologista Sheilla Santana explicou que a situação é provocada por um sistema chamado zona de convergência intertropical (ZCIT), que tende a permanecer sobre áreas de temperaturas da superfície do mar (TSM) mais aquecidas. A técnica disse ainda que a ocorrência de frentes frias na Amazônia neste período também contribuíram para instabilizar ainda mais a atmosfera na região, provocando nebulosidade e chuvas.
Essas anomalias positivas de TSM estão, ainda no mês de junho, maiores no Oceano Atlântico Equatorial Sul que no Norte. Em outras palavras, as áreas de TSM mais aquecidas estão no Sul, mantendo a ZCIT posicionada ao sul da sua posição climatológica para o mês de junho e, portanto, provocando chuva sobre praticamente todo o Norte do Brasil, disse.
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