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Luka Ribeiro

Apesar do glamour, há descaso, abandono e muitas saudades do trem até Guajará-Mirim


Apesar do glamour, há descaso, abandono e muitas saudades do trem até Guajará-Mirim - Gente de Opinião

Porto Velho, RONDÔNIA – “Depois desse descaso e abandono puro só tenho saudades do trem sob os trilhos até Guajará-Mirim”, afirmou o presidente da Associação dos Ferroviários da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (ASFEMAM), José Bispo de Morais, 86, enquanto tentava adentrar às instalações do Complexo Ferroviário e fora impedido por uma autoridade municipal.

                                                                                                                                      

O trem circulando era só alegria e o último apito da Locomotiva de Número 5, a famosa “MAD MARIA”, proporcionava aos turistas, visitantes e amantes das Marias Fumaça que iam ao pátio giratório das litorinas e das manobras as maiores alegrias, lembrou o velho ferroviário.

Segundo ele, “ainda, hoje, para os ferroviários ainda vivos e, com certeza, aos seus remanescentes, a grande alegria num futuro não muito distante, “é ouvirmos da boca do presidente Jair Bolsonaro que o trem voltará a circular, sobretudo se for de Porto Velho a Guajará-Mirim”.

A antiga Estrada de Ferro Madeira Mamoré, segundo dados disponíveis na ASFEMAM e extraídos de ao menos cinco audiências públicas sob a chancela do Ministério Público Federal (MPF-MPE), “até ao momento continua com sua situação legal indefinida”. O que sabe é que, quem apenas está investindo no projeto de revitalização é Consórcio Santo Antônio, pontuaram dirigentes locais.

- Até esse momento o que vem ocorrendo demais sério é uma tentativa de destombar de vez o principal patrimônio cultural dos porto-velhenses, admitiu outro dia, José Bispo aos pés das Três Caixas D’Água.

Como medida eficaz mira-se com esse projeto, apenas a construção de tapumes; “um pensamento alimentado pelo município e dirigentes de órgãos de controle que estão permitindo a construção de novos imóveis que podem soterrar os trilhos”, principalmente, no entorno do pátio giratório das Litorinas e dos pontos de manobras dos trens.

Ao NEWSRONDÔNIA, o consultor Roberto Lemes Soares, disse que “falta uma política única ao município, ao Estado e à União Federal para ser pensada para garantir a preservação e conservação da memória ferroviária de Porto Velho a Guajará-Mirim”. Essa medida iria, inclusive, resgatar peças históricas de terceiros privados a historiadores.

Às entidades de defesa do patrimônio cultural, artístico e histórico no tocante à preservação e conservação da “Memória Ferroviária e da legendária Vila dos Ferroviários, indicariam junto aos gestores governamentais uma nova perspectiva histórica e abriria margem para a exploração sustentável á prática do turismo ferroviário até a fronteira com a Bolívia”, enfatizou Soares Lemes.

Nos trilhos da memorial, longe de se tornar uma medida saudosista por parte dos amantes da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM), “a auto-estima dos porto-velhenses seria atiçada com a revitalização funcional dos trens e com esses a possibilidade de geração de emprego e renda, mas sem a exibição gélida de uma cópia mal feita das Docas do Pará”,aduziu Soares Lemes.

Outro aspecto de uma ameaça gritante que ainda paira sob o tema, considerado um dos mais polêmicos dos entes patrimoniais já tombados – e que pessoas insistem destombá-los – foi a montagem de uma locomotiva fictícia exposta no largo do Parque Circuito. São peças subtraídas, inclusive, da Locomotiva Número 5, a legendária MAD MARIA que foi peça de filmes, documentários e folhetim de novela da Rede GLOBO. E de um livro de autoria do jornalista e escritor amazonense, Márcio Souza.  

O principal glamour dessa história, em vez de os órgãos de controle do município, do Estado e da União Federal, respectivamente, atuarem em conjunto para não permitirem uma possível descaracterização dos bens móveis, imóveis e do acervo do Complexo Ferroviário, “avalizariam a desconstrução de leis e normativas do Instituto Nacional do Patrimônio Artístico e Nacional (IPHAN), a nível regional”, disse Lemes Soares.

Para José Bispo, mesmo a despeito de seus 86 anos, e proibido de adentrar aos pátios do Complexo Ferroviário, “há ainda uma necessidade premente de se resgatar a principal memória cultural dos porto-velhenses, atualmente, dominada por fatores externos de forte influência caráter nacional e internacional”.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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