Porto Velho (RO) segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
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UHE jirau: resgate de peixes é concluÍdo com índice zero de mortandade


 

Mais de 350 mil peixes foram retirados das ensecadeiras e devolvidos, com segurança, ao canal principal do Rio Madeira



Com índice zero de mortandade, a Usina Hidrelétrica Jirau concluiu, esta semana, as ações do Programa de Resgate e Salvamento da Ictiofauna, um dos 33 programas socioambientais desenvolvidos pelo empreendimento. Os dados ainda estão sendo processados, mas o saldo preliminar é de 355.964 peixes e mais de 200 espécies registradas, em dois anos e meio de resgate de cinco recintos formados por ensecadeiras provisórias construídas para barrar e desviar o rio durante as obras.UHE jirau: resgate de peixes é concluÍdo com índice zero de mortandade - Gente de Opinião
 

O êxito do Programa, segundo o diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Energia Sustentável do Brasil, Antonio Luiz Abreu Jorge, é resultado de um planejamento detalhado, otimização do projeto de engenharia, equipe preparada, uso de tecnologia de ponta e o monitoramento constante dos parâmetros limnológicos, como verificação do nível de oxigênio da água, temperatura, coloração e profundidade.
 

As ações de resgate começaram em maio de 2009 com o primeiro recinto formado pelas ensecadeiras da obra, local onde foram resgatados 9.016 peixes, distribuídos em 107 espécies. No segundo recinto, realizado no mesmo ano, o número de peixes resgatados foi de 17.998, com 154 espécies registradas. O resgate do terceiro recinto (2009-2010) totalizou 189.788 peixes resgatados, com 227 espécies. No quarto recinto, realizado em 2010, foram resgatados 96.362 peixes com 154 espécies identificadas. No quinto e último recinto, realizado em 2011, foram resgatados cerca de 42.800 peixes, com 121 espécies confirmadas até o momento.
 

Segundo a coordenadora de Meio Biótico da Energia Sustentável do Brasil, Ludmila Castro, os cinco recintos tiveram características morfológicas, hidráulicas e biológicas distintas, o que tornava cada resgate um desafio mais motivador. “O recinto 3 foi o maior de todos, ocupava cerca de 61 hectares, com seis milhões de metros cúbicos de água. Foi também o de duração mais longa, quase oito meses de atividades. Já o resgate no último recinto foi o mais rápido, 26 dias, foram esgotados mais de um milhão de m³ de água, e encontramos espécies que não haviam sido registradas nos demais recintos”, informa.

 

Espécies registradas
 

Pescadas (Plagioscion squamosissimus) e mandis (Pimelodus blochii) foram as espécies mais registradas nos resgates: 51.639 indivíduos e 40.213, respectivamente. A maior riqueza de espécies foi registrada pelas ordens Siluriformes (peixes de couro) e Characiformes (peixes de escama), que compuseram os grupos dominantes nos recintos.
 

O maior peixe retirado das ensecadeiras foi um pirarucu (Arapaima gigas) de 120 kg e 2,15m de comprimento. A espécie é nativa da bacia Amazônica e pertence a ambientes de águas calmas, como lagos e várzeas. O pirarucu não pertencia à região acima da Cachoeira do Teotônio, sendo introduzida nesta porção através da prática de piscicultura no território boliviano.
 

Pesquisas
 

Os maiores beneficiados com os estudos, além do ecossistema, da comunidade científica e da população de Rondônia, são os estudantes de Biologia da região. Por meio de uma parceria com a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), eles têm acesso a todos os dados coletados em campo e laboratório. “Essa região da Amazônia foi pouco estudada. Nenhum livro traz esses dados com tamanha abrangência e precisão. Eles estão recebendo um conhecimento inédito e em primeira mão”, frisa o biólogo Marcos Paulo Fonseca, coordenador do Programa de Resgate e Salvamento da Ictiofauna, pela Naturae Consultoria Ambiental, empresa executora do Programa.
 

Resgate e salvamento seguros
 

O Programa de Resgate e Salvamento da Ictiofauna consiste em retirar os peixes das ensecadeiras provisórias e devolvê-los com vida, ao canal principal do Rio Madeira. Com o auxílio de redes e embarcações, as equipes capturam os peixes e outros animais que ocasionalmente possam ser encontrados, e os colocam em caixas de fibra ou bombonas plásticas com água do local. Em seguida os animais são transportados ao ponto de apoio, contados, pesados, medidos e catalogados conforme a espécie e acomodados em um tanque com água do próprio rio e sistema de oxigenação. No final do processo, eles são soltos na calha principal do rio, em um ponto abaixo da obra. Espécies migradoras de longa distância são marcadas para posterior monitoramento.
 

Durante o esgotamento do recinto, são adotadas rígidas medidas de controle para evitar a mortalidade, como o monitoramento constante da qualidade da água (temperatura, oxigênio dissolvido e turbidez) e o acionamento de um sistema de bombeamento de retorno da água do rio para o recinto, permitindo assim a integridade fisiológica dos animais durante o resgate.
 

De acordo com o Gerente de Meio Ambiente da Energia Sustentável do Brasil Jairo Guerrero, as ações de resgate nos recintos envolveram mais de 150 profissionais das áreas de Engenharia e Meio Ambiente, entre biólogos, engenheiros, pescadores, barqueiros, técnicos de segurança e pessoal de apoio da Energia Sustentável do Brasil, Systema Naturae, Stesa Técnica, Camargo Corrêa, Leme Engenharia e Themag Engenharia.

 
Fonte: Comunica

 

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