Porto Velho (RO) sexta-feira, 21 de setembro de 2018
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OPNIÃO: Campo de concentração para os ribeirinhos atingidos pelas usinas


 OPNIÃO: Campo de concentração para os ribeirinhos atingidos pelas usinas - Gente de Opinião


Por: João Serra Cipriano
 

Sei que o título é muito forte, mas foi assim que este jornalista recebeu o velho pescador de nome Mário, caboclo amazônico, traços fortes, que desabafou as suas magoas com relação aos tratamentos dispensados pelas Usinas do Madeira ao povo simples e analfabeto que nasceu e se criou nas barrancas do Rio, abrigo dos excluídos, social e economicamente de Porto Velho. “Sei que o senhor é jornalista, ouvi uma reportagem sua na rádio e gostaria que o senhor escrevesse que seria mais digno, se esses políticos e empresários das usinas construíssem uma grande fornalha, assim como fizeram lá na Europa, colocasse todos nós, os analfabetos ribeirinhos pescadores, e tocasse fogo; assim, a tragédia seria grave, mas só uma vez, deixando nós todos morrermos em paz e ir logo lá pro céu”.
 

Segundo os afetados pelas Usinas do Madeira, as pressões sociais que eles sofrem dos funcionários dos Consórcios vão desde ameaça de despejo, já que as Usinas têm “acordos com os Juízes” para realizar a tal de “Imissão Antecipada da suas Terras”, até o pagamento arbitrário de valores conforme o seu entendimento, usando de despejo e força policial para desocupá-los das suas moradias de décadas, repito, sem pagar pelos prejuízos econômicos provenientes do encerramento de suas atividades da pesca, da produção de farinhas, criação de gado, porcos e galinhas”.
 

Para os colonos afetados, existem tratamentos diferenciados de acordo com as conivências dos empreendimentos, divisão de valores da terra na mesma região e também existe montagem de propostas diferenciadas de acordo com as conveniências políticas dos empreendimentos.  “Como não bastasse às tais pressões de que os juízes estão acertados com as grandes bancas de advocacias contratadas pelas Usinas, eles, os ribeirinhos têm apenas duas opções de acordos em laudos produzidos unilateralmente pelos próprios donos das usinas: Primeiro quem não aceitar trocar as casas feitas pelos empreendimentos e ‘dadas’ a preço de ouro, pelas nossas casas existentes e ‘pagas’ a preço de banana, serão levados a juízo com a imissão de posse; Segundo, ofertam valores estipulados e montados pelos próprios consórcios e quem discordar, ameaçam levar para juízo e ai, não aceitam valorizar as nossas roças, nossos lucros futuros e querem que assinem documentos em branco para derrubar as nossas matas”.
 

Segundo os ribeirinhos, eles nunca pediram para sair das suas propriedades, não estão vendendo as suas terras, não querem tratamento de especuladores de terra e sim, são vítimas dos empreendimentos das Usinas do Rio Madeira e como não bastassem as mazelas e pressões que vem sofrendo, “essa semana, um diretor da Usina quis comparar as nossas pequenas propriedades altamente produtivas com o preço de uma grande área comprada de um latifundiário, que usava a terra só para fazer grandes empréstimos nos bancos e jogar a grana dentro dos seus comércios”.  Isso é um abuso, um crime social contra a agricultura familiar das regiões dos lagos das Usinas querer oferecer o mesmo tratamento ou comparar os latifundiários com as pequenas propriedades familiares.
 

Para os afetados, ninguém é contra as tais usinas e muito menos o progresso, mas o respeito é necessário assim como a dignidade social nas avaliações das propriedades, bens, casas, cercas, pastos, produtividade atual e futura, e acima de tudo, que seja dado uma nova terra e auxilio para voltarem ao campo com as mesmas condições de renda, com as mesmas tranqüilidades de ribeirinhos; o fato é que nenhum político de Rondônia esta vendo ou defendendo o povo simples das barrancas do Rio Madeira.
 

Por fim, na qualidade de jornalista, fui procurado e ouvi e passo aos meus internautas o desabafo corajoso deste homem, muito provavelmente descendente de barbadiano, família centenária da estrada de ferro, hoje, pescador e conhecido como mestre Mário; que comparou as suas angustias e de seus camaradas ribeirinhos, com as angustias sofridas pelos que foram levados as Câmaras de Gás na Europa, na exterminação em massa do holocausto  Nazista, contra também o povo simples.
 

Com a palavra as autoridades públicas que recebem do erário para defender as minorias e acharem em suas almas, uma pequena partícula de humano, e que devam defender os agricultores e pescadores analfabetos contra o poderio econômico do progresso das Usinas do Madeira. Com a palavra os Juízes federais e estaduais, que ao serem provocados pelas Usinas para a tal “imissão antecipada de terra”, exijam dos bilionários empreendedores, todos os valores justos da terra e também dos lucros das produções das propriedades e que não sirvam de instrumento de injustiça contra este povo, que façam prevalecer à ordem social e econômica em favor dos afetados, destes agricultores e pescadores analfabetos, que por anos afinco, mandaram as suas produções de alimentos, peixes e frutas, alimentando a cidade de Porto Velho e agora, tem noites de pesadelos por perderem o seu chão, sua barranca de rio, seus sustentos e seus sonhos de caboclos amazônicos   
 

  • O autor João Serra Cipriano é jornalista e suplente de deputado federal pelo PSB-RO.

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